Ideal apresenta projetos solares na Alemanha

O Instituto Ideal apresentou seus projetos solares para empresas alemãs na Embaixada do Brasil, em Berlim. O evento aconteceu ontem e contou com um público de mais de 50 representantes da indústria solar da Alemanha.
A apresentação teve continuidade hoje pela manhã com uma reunião fechada com empresas do setor interessadas no projeto da cobertura solar da Eletrosul, em Florianópolis.
O Eletrosul Megawatt Solar foi um dos assuntos apresentados por Mauro Passos, presidente do Instituto Ideal. O projeto da cobertura solar da sede da Eletrosul (foto) encontra-se em fase adiantada, o que transmitiu credibilidade e despertou o interesse dos representantes da indústria alemã para a licitação internacional.

Os outros projetos apresentados pelo Instituto também estão em fase adiantada. Passos levou para a apresentação os Estádios Solares, uma iniciativa do Ideal, com seus parceiros estratégicos, para avaliar o potencial energético dos estádios brasileiros para a Copa do Mundo de 2014. Um desses estádios, o Mineirão, em Belo Horizonte, deve se tornar o primeiro do Brasil a ter uma usina fotovoltaica instalada em sua cobertura. O projeto é encabeçado pela CEMIG, Companhia Energética de Minas Gerais, que deverá distribuir e comercializar a energia gerada.

Outro estádio em processo de solarização adiantado é o Pituaçu, em Salvador. Sua usina solar irá usar uma tecnologia inédita em instalações desse porte no Brasil. O projeto é elaborado pela Coelba, Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, do grupo NeoEnergia, em parceria com o governo do estado da Bahia.
Ambos os projetos, o telhado solar da Eletrosul e os Estádios Solares, foram muito bem recebidos. Para Passos, a iniciativa do Ideal e da Embaixada brasileira foi importante para chamar a atenção do setor solar alemão para o potencial energético do Brasil.

Lançamento do concurso Eco_lógicas

O Instituto IDEAL lançou na última semana, durante o seminário “Energia Limpa: Conhecimento, Sustentabilidade e Integração”, a mais nova edição do concurso Eco-Lógicas de Monografias em Energias Renováveis. Para essa edição, o concurso expandiu seus limites para o Mercosul e vai ter participantes de instituições de ensino superior da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Com o intuito de promover as energias alternativas na América Latina, o IDEAL _congregando os países do Mercosul em um concurso que promove o conhecimento_ dá mais um passo nessa direção.

Os países da América do Sul são ricos em suas energias naturais e transformar esse potencial energético em um elemento de integração é um desafio que exige dedicação e vontade política.
Sendo assim, o concurso, que promove a realização e a divulgação de pesquisas acadêmicas acerca do tema “Energias Renováveis e Eficiência Energética”, será realizado em uma aliança inédita entre governo, empresas e ONGs. De modo a contribuir no debate da integração dos países do Mercosul por meio da geração de energia limpa.

Em sua terceira edição, o Eco-Lógicas faz uma parceria entre o IDEAL e a Comissão Permanente do Mercosul e, pela primeira vez, além dos estudantes de pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado) também irá premiar alunos de graduação.

Com o objetivo de premiar o conhecimento produzido em nossas universidades, a comissão julgadora, escolhida pela organização do Concurso, premiará as quatro melhores monografias de cada uma das duas categorias. Cada trabalho vencedor será de um país do Mercosul e as melhores monografias serão agraciadas com suas publicações em livro e CD-Rom.

Os autores vencedores também serão beneficiados com um prêmio de 10 mil dólares (pós-graduação) e 5 mil dólares (graduação), como forma de incentivar a continuidade nas pesquisas de energias renováveis. Os orientadores das monografias premiadas também receberão um prêmio de 2,5 mil dólares como forma de incentivo.
Para participar do concurso, o estudante deve se inscrever com um trabalho inédito _não publicado na imprensa, internet ou em livro. A inscrição deverá ser feita pela internet e os trabalhos podem ser enviados para o e-mail:[email protected]

O prazo final para a inscrição dos trabalhos de pós-graduação é 30 de setembro. Esses trabalhos serão julgados em outubro e a premiação se dará em dezembro de 2011. Já os trabalhos da graduação têm prazo de entrega para o dia 1º de dezembro e serão julgados até março de 2012, sendo que a premiação acontecerá no mês seguinte.

O regulamento completo do Concurso estará disponível em breve.

KfW vai financiar projeto Megawatt Solar

Representantes do banco de fomento alemão KfW e a diretoria da Eletrosul assinam amanhã (sexta-feira, 5/3), às 9h30min, termo de compromisso para financiamento do projeto que vai dotar o prédio sede e os estacionamentos da empresa em Florianópolis, com placas fotovoltaicas para geração de energia elétrica a partir do sol.

Intitulado de Megawatt Solar, o projeto representa uma parceria entre Eletrosul, Eletrobrás, UFSC,GTZ, Instituto Ideal e o banco alemão. Além do repasse de 2,8 milhões de euros (cerca de R$ 7 milhões) a fundo perdido, o acordo a ser assinado prevê a cooperação técnica entre as instituições. Para a implantação do projeto serão necessários cerca de R$ 13 milhões, segundo informa o diretor de Engenharia da Eletrosul, Ronaldo Custódio.

Os sistemas serão implantados no telhado do edifício e nos estacionamentos de veículos – algo em torno de 8 mil m² – e deverão gerar anualmente, em média, 1,2GWh, o equivalente a um consumo anual de cerca de 400 residências. Com a implantação, este será o primeiro prédio público brasileiro a ser abastecido por energia fotovoltaica em grande escala. O projeto pretende vender a energia gerada para consumidores livres e especiais interessados em vincular a sua imagem à produção de energia limpa.

Além da assinatura, a comitiva alemã fará uma visita às obras da Pequena Central Hidrelétrica Barra do Rio Chapéu, que a Eletrosul está construindo na região Sul do Estado, entre os municípios de Santa Rosa de Lima e Rio Fortuna e que tem financiamento do KfW. A previsão é de que a obra seja concluída no final deste ano.

Primeiro estádio solar do Brasil será na Bahia

O Grupo Neoenergia, por meio da Coelba, vai transformar o Estádio Metropolitano de Pituaçu, localizado em Salvador, no primeiro da América Latina com suprimento de energia solar fotovoltaico. O projeto será viabilizado pelo Programa de Eficiência Energética da distribuidora de energia elétrica, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Também contará com apoio do Governo da Bahia. São parceiros do Grupo Neoenergia no empreendimento a Agência Alemã de Cooperação GTZ e o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (IDEAL). A meta é iniciar imediatamente os projetos necessários para a instalação do sistema de geração solar fotovoltaica, que será integrada à cobertura do edifício, visando à geração própria de energia elétrica.

A energia excedente será injetada diretamente na rede elétrica da concessionária, que também abastecerá as instalações quando a energia solar captada não for suficiente para atender ao estádio. Será usada a tecnologia de painéis revestidos com filmes finos de silício amorfo, uso ainda inédito no Brasil. No projeto é previsto ainda avaliar os impactos da injeção de blocos de energia no alimentador que atende o estádio, sendo essa avaliação interessante para o setor elétrico, uma vez que, em um futuro próximo, a energia solar fotovoltaica deve integrar a matriz energética brasileira.

O Laboratório de Energia Solar da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) desenvolverá o projeto, com apoio técnico no Brasil da GTZ. O projeto prevê a aquisição dos equipamentos, instalação, operação e acompanhamento por dois anos do desempenho do gerador solar fotovoltaico de potencia nominal de 400 kWp. Orçado em R$ 5,5 milhões, será arcado pela Coelba (52%) e pelo Governo da Bahia (48%). Após a instalação o estádio venderá a energia excedente a uma comercializadora de energia ou usará essa energia em prédios do Centro Administrativo da Bahia que estão no mesmo alimentador, como os prédios da Secretaria da Fazenda ou a Fundação Luis Eduardo Magalhães.
A conta de energia do estádio será paga à Coelba com a renda obtida com a venda ou compensação da energia gerada. Segundo o presidente da Neoenergia, Marcelo Corrêa, o projeto pretende alcançar uma economia de 320 KW de demanda e 480 MWh de energia, já que a energia gerada pelo sol será injetada no sistema da distribuidora. “Essa tecnologia já é utilizada em alguns estádios no mundo, como Badenova Stadium, de Freiburg, na Alemanha, e o Stade de Suissse Wandkdorf National, em Berna, na Suíça”, afirmou Corrêa. A tecnologia utilizada deverá ser demonstrada ao público, sendo disponibilizado no estádio um local para explicação e visitação do novo sistema, como acontece em estádios europeus que têm sistemas semelhantes.

(Foto: Simulação, Coelba)
FONTE: Coelba/Neoenergia

Ideal participa de Seminário em Florianópolis

Aproveitar os recursos naturais abundantes no país e produzir energia para o desenvolvimento e inclusão social, combatendo as mudanças climáticas. Esses são desafios importantes que o país precisa encarar de frente. Seja pelo sol, vento, oceanos, rios, ou pelo aproveitamento de resíduos urbanos e rurais, a produção de energia elétrica por fontes limpas precisa ser uma política pública. Além da inegável contribuição ambiental, as energias renováveis trazem importantes oportunidades de negócios, tanto para pequenos agricultores, cooperativas como para grandes empresas.

Avaliar os avanços e os entraves da disseminação das energias alternativas é o objetivo do Seminário “Os desafios da energia renovável no Brasil e em SC”, que integra a Feira Sustentável 2009. A discussão será realizada no Auditório Plenarinho Paulo Stuart Wright (Assembleia Legislativa de SC), nesta sexta-feira (30), às 14h.

Em Santa Catarina, o crescimento do setor depende ainda da regulamentação em lei e de se tornar atrativa aos setores produtivos. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) possui estudos em energia solar reconhecidos internacionalmente, e o estado tem grande potencial para exploração sustentável do setor, principalmente na área eólica e hídrica. O Brasil apresenta a matriz energética mais limpa do mundo por dispor de 46% da energia necessária ao desenvolvimento de fontes renováveis. No restante do mundo, esse número é de apenas 13%. Essa situação coloca nosso país em uma posição especial para o futuro das novas gerações, permitindo combinar o crescimento econômico, com proteção ambiental e o desenvolvimento social. Segundo o Deutsch Bank, o Brasil é um dos melhores países para se investir no setor, ao lado da Austrália e Japão.

A Feira Sustentável 2009 ocorre de 30 de outubro a 1 de novembro no Centrosul (Florianópolis, SC), e reúne 250 expositores, distribuídos em 150 estandes, com empreendimentos da Agricultura Familiar, Reforma Agrária, Economia Solidária, Pesca e Energias Renováveis. Além da exposição e venda de produtos, a Feira tem uma programação diária de palestras, oficinas e debates sobre os temas, e atividades culturais.

Diretor do Ideal fala de energia solar em encontro Brasil-Alemanha

Desde que foi firmado o convênio bilateral de transferência tecnológica entre Brasil e Alemanha no início deste ano, os governos dos dois países têm promovido encontros temáticos que visam auxiliar a formulação de políticas de apoio mútuo. Na semana passada, um encontro na cidade de Colônia, na Alemanha, discutiu especificamente a energia elétrica. Estiveram reunidos representantes da Eletrobras, Ministério Alemães de Educação e Pesquisa (BMBF), do Meio Ambiente (BMU), da Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ), o representante da empresa alemã Fuhrlander de energia eólica e o do Banco DEG (um braço do KfW, banco alemão de fomento). Um dos convidados para este encontro foi o professor da UFSC, Ricardo Rüther (foto), que é diretor técnico do Instituto IDEAL. Lá teve a oportunidade de falar aos dois governos o que está sendo feito em termos de energia solar e os planos para os próximos anos.
Rüther ressaltou o avanço da energia solar fotovoltaica na Alemanha, que só em 2005 instalou em geradores solares conectados diretamente à rede de energia o correspondente à Usina Térmica Jorge Lacerda, a maior a carvão da América Latina. No ano seguinte, as novas instalações solares na Alemanha corresponderam à potência nominal da usina de Angra II no Brasil. “São mais de 2.000 MW de novos geradores solares em somente dois anos. A quantidade de energia entregue à rede ainda depende do fator de capacidade que, em função da oferta solar somente diurna, é consideravelmente inferior ao das usinas nuclear ou termelétrica a carvão mencionadas. Porém, já estamos falando da mesma ordem de grandeza e esta é a principal novidade dos últimos tempos nesta área”, afirma Ricardo Rüther.

INCENTIVOS LEGAIS

Os alemães estão conseguindo avançar neste segmento por meio de um programa de incentivo, que paga aos geradores solares tarifas prêmio que têm um impacto tarifário distribuído por toda a população do país. Para financiar este programa, cada família alemã teve um aumento médio na sua conta mensal de energia elétrica equivalente a dois litros de leite. “No Brasil se pode pensar em algo semelhante, com um impacto tarifário também desta ordem, mas distribuído somente entre os consumidores de classe média e alta, e dar impulso a esta tecnologia que aqui tem um potencial muito maior do que lá”, acredita o pesquisador. Ainda em comparação com a Alemanha, atualmente o maior mercado da tecnologia solar fotovoltaica do mundo, é importante notar que as tarifas residenciais no Brasil são somente cerca de 25% mais baixas do que as alemãs. Por outro lado, o local menos ensolarado do Brasil ainda recebe cerca de 40% mais radiação solar do que o local mais ensolarado da Alemanha.

A geração solar com sistemas conectados à rede elétrica é normalmente vista como uma tecnologia para os países desenvolvidos, enquanto que os pequenos sistemas solares isolados, como aqueles que vêm sendo utilizados no Programa Luz para Todos do Governo Federal, são vistos como a aplicação mais apropriada desta tecnologia para os países em desenvolvimento como o Brasil. Esta lógica está baseada no ainda alto custo da geração solar, que para aplicações urbanas é mais cara que a geração convencional, mas para a eletrificação rural em pequenos sistemas dispersos é, em muitos casos, a alternativa de menor custo.

A análise da curva de redução de custos da geração solar (a “curva de aprendizado” da produção industrial desta tecnologia) mostra que cada vez que a produção acumulada desta tecnologia dobra, seu custo de produção tem caído em cerca de 20%. Por outro lado, as tarifas de energia elétrica residencial têm experimentado aumentos consideravelmente superiores à inflação e não existem indicativos de que esta tendência se modifique nos próximos 10 anos. Neste contexto se pode esperar que em algum momento estas duas tendências conduzam ao que se pode denominar de paridade tarifária: o momento em que o preço da tarifa convencional e o da geração fotovoltaica em telhados solares conectados à rede elétrica é o mesmo. “Com as taxas de juros que se pode atualmente utilizar para avaliar investimentos em geração, pode-se demonstrar que em várias regiões do Brasil este momento irá ocorrer durante os próximos dez anos. Esta é a boa notícia. A má notícia é que dez anos é um espaço de tempo curto para que o setor elétrico e a indústria brasileira acumulem a experiência necessária para receber quantidades consideráveis de pequenos geradores pulverizados em seu sistema de distribuição e para desenvolver as capacidades de produção necessárias para atender a este novo mercado”, explica Rüther. Voltando novamente à Alemanha, lá esta experiência já tem 20 anos e a paridade tarifária deve ocorrer também dentro de dez anos.

COMPLEMENTO ENERGÉTICO NAS EDIFICAÇÕES

Em um país com as dimensões do Brasil, o setor elétrico dominado pelo paradigma da geração centralizada pode começar a se beneficiar e a abrir espaço a tecnologias de geração distribuída como a solar integrada a edificações urbanas e conectada à rede elétrica, que gera energia junto ao ponto de consumo. Com a geração solar em telhados urbanos, perdas de energia e investimentos no sistema de transmissão e distribuição de energia são evitados. Estas micro usinas não inundam áreas nem ocupam espaço exclusivo, já que estão integradas às edificações.

Além disso, o Brasil, com sua grande quantidade de reservatórios hidrelétricos, apresenta uma matriz elétrica bastante favorável visando à incorporação de fontes renováveis intermitentes, como energia solar ou eólica. “Equilibrando a intermitência dessas duas fontes com a rapidez de controle das usinas hidrelétricas teremos estabilidade da rede elétrica, o quer dizer oferta energética, a qualquer momento. No mesmo tempo, quando não há necessidade, deixa-se de usar uma parte das turbinas hidrelétricas e assim aumenta o nível dos reservatórios e conseqüentemente a segurança de abastecimento”, explica Ruther.

O Brasil já tem alguma experiência com a geração solar fotovoltaica integrada a edificações urbanas e conectada à rede elétrica pública, tendo o primeiro gerador deste tipo recentemente completado dez anos de operação ininterrupta. Esta micro-usina, de operação automática que não requer operador e que não ocupa espaço extra por fazer parte de um prédio, gera energia elétrica de forma silenciosa, limpa e renovável, utilizando uma tecnologia muito apropriada para o clima do Brasil. Como esta, existe somente um punhado de outras instalações similares espalhadas pelo Brasil; quase todas elas, no entanto, estão operando em universidades, institutos de pesquisa ou concessionárias de energia. “Urge agora, enquanto a paridade tarifária não chega, estabelecer um amplo programa de telhados solares para que o Brasil comece a preparar o campo para as realidades que virão após a Copa de 2014”, aposta Ricardo Rüther.

AEROPORTOS SOLARES

Um bom exemplo para a aplicação da geração distribuída com sistemas fotovoltaicos integrados em edificações é sua implantação em prédios públicos, quase todos com uma curva de carga mais expressiva no período diurno. Essa particularidade, curva de consumo coincidente com o período de geração, permite o estabelecimento de estratégias de redução de consumo em edificações urbanas e conservação de energia primária nas unidades de geração centralizada. Em 2001, no denominado “apagão elétrico”, foi exigido dos consumidores uma redução de 20% em seu consumo e recentemente foi priorizado o uso de gás para geração termoelétrica para conservação de água nas hidroelétricas. Portanto, assegura o diretor do Instituto IDEAL, a integração de unidades de geração fotovoltaica em edificações urbanas, públicas ou privadas, além de representar um passo importante para o desenvolvimento da geração distribuída com sistemas fotovoltaicos no país, é uma ferramenta que deveria ser considerada nas estratégias de conservação de recursos primários, como por exemplo, água nos reservatórios das hidroelétricas.

Tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei cuja aprovação pode dar impulso a iniciativas neste sentido. Outra iniciativa que pode alavancar a tecnologia solar fotovoltaica no Brasil é o projeto Aeroportos Solares, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina e a INFRAERO, cujo objetivo é estudar a integração de geradores solares aos principais complexos aeroportuários do Brasil. Os aeroportos são uma ótima vitrine para demonstrar esta tecnologia e ao mesmo tempo compensar um pouco das emissões de CO2 relacionadas à aviação comercial. Em uma viagem de ida e volta Florianópolis – Brasília, cada passageiro é responsável pela emissão de cerca de680 kg de CO2 na atmosfera, o que corresponde, à cotação de hoje no mercado internacional, a quase 40 Reais. “Por enquanto não estamos pagando o custo das emissões relacionadas a nossas viagens de avião, mas esta situação deve em algum momento mudar”, opina Rüther. O Brasil pode aqui também dar ao mundo um bom exemplo e “solarizar” seus aeroportos como medida compensatória ao impacto ambiental causado pelos seus usuários, utilizando o princípio de “o poluidor paga”. Assim, é possível imaginar um programa de dez anos em que a cada ano alguns aeroportos passam a integrar geração solar fotovoltaica.

Para tornar o aeroporto de Florianópolis completamente abastecido por energia solar, por exemplo, basta que ao longo de um ano cada um dos mais de 100 milhões de passageiros aéreos no Brasil pague menos de 25 centavos. Para fazer a mesma coisa no aeroporto de Brasília, o custo para cada passageiro ficaria em torno de R$ 1,40. “Se parece caro, mais caro será o custo de nossa falta de ação na questão das fontes renováveis de energia e do aquecimento global”, finaliza Ricardo Rüther.

Ideal firma convênio com Parlamento do Mercosul

Fomentar as energias renováveis junto aos governos, meios acadêmicos e empresariais, facilitando o estabelecimento de uma política de integração energética e de desenvolvimento regional. Este é o objeto do convênio firmado nesta semana pelo Instituto IDEAL e pelo Parlamento do Mercosul, instância com sede em Montevidéu e que tem a participação de parlamentares de todos os países do Mercosul. O atual presidente deste Parlamento é o deputado federal brasileiro Dr. Rosinha, do Paraná.
Para o presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, este convênio é uma importante conquista. ” Nestes dois anos iniciais do convênio buscaremos consolidar uma legislação nos países do bloco que motive uma maior inserção da energia limpa, fazendo com que isto também seja objeto de integração econômica e cultural”. Entre as atividades previstas pelo convênio estão a realização de estudos, seminários e cursos de capacitação.

Ideal sugere “estádios solares” ao presidente Lula

Na última segunda-feira, dia 10, o presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, protocolou carta no Palácio do Planalto, apresentando ao Presidente Lula a proposta para que os estádios de futebol da Copa do Mundo de 2014 no Brasil levem em conta o uso de energia solar fotovoltaica. “Sol e futebol têm tudo a ver com o nosso país e uma iniciativa como esta, vitrine para o mundo, além de novos negócios para o setor, evidenciaria a intenção do Governo Brasileiro em tornar-se referência mundial na produção de energia limpa”, explica Passos.

Ele apresentara previamente a proposta ao então presidente interino da Eletrobrás, Valter Cardeal, e a fabricantes mundiais de equipamentos fotovoltaicos – a japonesa Kyocera Solar e o Grupo Martifer, de Portugal. Todos se mostraram interessados na iniciativa. Tanto que a Eletrobrás slicitou ao Instituto IDEAL um estudo de viabilidade técnica e econômica. O professor Ricardo Rüther, diretor técnico do Instituto, optou em fazer este estudo, começando pelo “Maracanã Solar”, que deverá estar concluído no mês de abril.

Ideal prevê realização de concurso de monografia

O Instituto Ideal, em parceria com o Centro de Pesquisa em Energias Alternativas e Renováveis (CPEAR) da Unisul e o Laboratório Solar (Labsolar) da UFSC estudam a realização, para 2008, do Concurso Catarinense de Monografias em Energias Renováveis. A ideia da comissão formada para elaborar as normas deste concurso, é premiar os melhores trabalhos produzidos nas universidades e centros de pesquisa sediados no estado que promovam o uso de energias oriundas de fontes renováveis – solar, eólica, biomassa, biocombustíveis, geotérmica, do hidrogênio, PCHs, ondas e marés. Além da premiação em dinheiro, este concurso irá publicar em revista técnica reconhecida os estudos destacados pela comissão julgadora que irá reunir os melhores profissionais e pesquisadores em energias renováveis de Santa Catarina. Esta proposta está em sintonia com o perfil de Santa Catarina, que tem setor industrial de ponta e universidades de excelência acadêmica.

Ideal e WCRE firmam convênio para o América do Sol

Nesta semana, durante a realização da 2ª Conferência Mundial de Energias Renováveis (WCRE, sigla em inglês) realizada em Bonn, na Alemanha, o Instituto IDEAL firmou convênio (Memorandum of Understanding) de cinco anos com o Conselho Mundial de Energias Renováveis que visa fomentar o desenvolvimento e a difusão das tecnologias de energia solar nos países latino americanos. O convênio se dará pela transferência de conhecimento, parcerias de desenvolvimento e empenho do WCRE para auxiliar o Instituto IDEAL na meta de transformar o continente na AMÉRICA DO SOL.

A princípio as atividades se concentrarão no Brasil, como um “estudo de caso”, mas as instituições vislumbram o alcance continental em poucos anos. Quem comemora é o presidente do IDEAL, Mauro Passos, que também é o único representante da América Latina no WCRE. Para ele o apoio institucional do Conselho Mundial irá motivar e facilitar as discussões para a criação de legislações que contemplem a energia solar e a tornem competitiva em poucos anos. Segundo o Diretor Técnico do IDEAL, professor Ricardo Rüther, do Laboratório Solar da UFSC, enquanto no Brasil a energia elétrica de fontes convencionais tem tido um reajuste médio de 14% ao ano, a indústria da energia solar vem registrando uma queda nos valores da produção em 5% anuais. “Nossa estimativa é que em 2017 esses valores estejam equiparados”, afirma. E com isso, completa, o país terá possibilidade de afastar os riscos de apagões porque o Brasil tem uma das melhores insolações do mundo, cerca de 40% a mais que na Alemanha, onde a indústria da energia solar está bem desenvolvida. Para se ter uma idéia, na Alemanha há uma política de investimentos e incentivos pelo uso da energia solar que vêm possibilitando um crescimento de 10% ao ano na indústria de equipamentos para energias renováveis, com ênfase nos painéis fotovoltaicos e térmicos.

De acordo com o relatório do Governo Alemão, em 2006 o país exportou seis bilhões de euros em equipamentos neste setor, enquanto no ano 2000 a cifra não passou dos 500 milhões de euros. Do total de painéis já instalados na Alemanha, um a cada três é produzido no próprio país, o que tem permitido o barateamento deste tipo de energia, ainda considerada a mais cara entre as fontes renováveis.

POTENCIAL POUCO APROVEITADO
Segundo ainda estudos do professor Rüther, a capacidade de geração solar é muito superior à hídrica, principal fonte de energia do Brasil. Para ilustrar, ele fez o seguinte cálculo: se uma área equivalente em tamanho ao lago de Itaipu (1350 km2) fosse coberta com sistema solar fotovoltaico, a potência instalada seria de 94,5 GW, bem superior aos 12,6 GW atuais. O entrave ainda são os custos. Enquanto os últimos leilões de energia nova têm registrado um valor médio de R$ 130 MW/h nas chamadas fontes convencionais – hidro e térmicas, para as energias renováveis esse valor é bem mais alto. “Os leilões de energia, como agora nas usinas do Rio Madeira, têm o preço inicial da obra de geração, sem contar os custos e a perda de energia na transmissão e na distribuição até chegar na tomada do consumidor. A energia solar é a tomada, sem custos extras e sem perdas”, afirma Ricardo Rüther.

Diante deste potencial praticamente inexplorado no Brasil e na América Latina, salvo em comunidades isoladas ou iniciativas particulares e de poucas administrações públicas (prefeituras), a proposta de cooperação tecnológica entre o IDEAL e o WCRE mostra a aposta na América Latina dos países chamados “desenvolvidos”. “Temos certeza que o AMÉRICA DO SOL, ainda embrionário, irá transformar nosso continente na grande referência mundial de energia solar”, comenta o presidente do IDEAL, Mauro Passos.