Na vanguarda dos debates meio-ambientais, IDEAL discute mobilidade sustentável na 8ª edição do Seminário Energia + Limpa

Os seminários Energia + Limpa, promovidos pelo Instituto IDEAL, costumam estar na vanguarda e olhar para o futuro. No ano passado, por exemplo, o evento buscou responder à pergunta ‘como popularizar a geração distribuída?’, mercado cada vez mais consolidado no Brasil. Neste ano, o IDEAL focou na mobilidade urbana sustentável, tema que já é realidade em muitos países, mas que ainda precisa se desenvolver e ganhar espaço e apoio político para crescer no Brasil. Com abertura na quarta-feira (07/6) e encerramento na sexta-feira (09/6) com visita técnica ao Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC (Fotovoltaica-UFSC), e transporte a bordo do primeiro ônibus elétrico movido à energia solar do Brasil; o evento reuniu cerca de 200 pessoas de diferentes locais e nacionalidades, com destaque para participação do palestrante Gualter Crisóstomo, diretor de sustentabilidade do Centro de Engenharia e Inovação com sede em Lisboa, o CEiiA.

Na mesa de boas-vindas, o presidente do IDEAL, Mauro Passos, lembrou que o Instituto completou 10 anos e ressaltou as mudanças positivas na área de energias renováveis, como o dado da ANEEL de mais de 10 mil painéis solares instalados no país. Depois ‘olhou para o futuro’ ao perguntar: “Quais os desafios para os próximos 10 anos? É uma grande questão. As placas solares vão estar consolidadas e não tenho dúvida de que a grande questão será mobilidade elétrica e sustentável”.

A mobilidade elétrica é uma realidade em países como Portugal. Crisóstomo, diretor do CeiiA, relatou a experiência daquele país. A partir de 2008, tiveram início estudos e políticas públicas para criação de projetos de infraestrutura. Hoje, por exemplo, cada cidade de Portugal possui um eletroposto. “Portugal posicionou-se como uma referência em nível internacional. Hoje, todos que pensam e pesquisam sobre o tema querem estar lá. É o mais avançado em políticas e em legislação para o tema”, afirmou.

Mas também existem exemplos no Brasil. Isso ficou claro no painel ‘Mobilidade Elétrica’, mediado pelo professor Ricardo Rüther, coordenador do Grupo Fotovoltaica-UFSC e diretor do IDEAL. O próprio grupo, por exemplo, desenvolveu o primeiro ônibus elétrico movido a energia solar no país. Outra iniciativa nacional é o Curitiba Ecoelétrico, cuja experiência foi relatada por Mirian Gonçalves, do Instituto Direito e Democracia, ex vice-prefeita daquela cidade. São 10 carros e um microônibus que circulam na capital paranaense, sendo abastecidos por oito eletropostos.

“Verificamos que o mais importante não era o carro elétrico, mas o serviço prestado. Podíamos ver onde estavam os carros e quanto de CO2 economizavam. Tudo de forma online”, contou. Fizeram parte da mesa também Margaret Groff, Board Advisor da iCities e Conselheira do MEX Brasil; Cesare Quinteiro Pica, Diretor do Centro de Energia Sustentável da Fundação CERTI; e Arthur Bianchini, do grupo Ampera Racing.

Além de mobilidade elétrica sustentável, a geração distribuída com foco na energia solar fotovoltaica não ficou de fora do debate. Foram apresentados dados preliminares do estudo “O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica – 2017”, uma iniciativa do IDEAL e da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no Rio de Janeiro (AHK-RJ). Responderam à pesquisa, representantes de mais de 350 empresas – entre instaladores, fornecedores e projetistas para energia solar FV – cadastradas no Mapa de Fornecedores do Programa América do Sol. O estudo aponta, entre outros aspectos, que os preços dos sistemas FV estão caindo ano após ano. Djane Melo, especialista em regulação da Aneel, também participou da mesa discutindo as mudanças no setor. Em seguida, representantes da CELESC e do BRDE trouxeram dois temas igualmente importantes para os interessados nesta tecnologia: o projeto ‘Bônus Fotovoltaico’ e a questão do financiamento para iniciativas desta natureza.

Outro painel sobre o assunto foi o ‘Energia nas Cidades’, com moderação de Alessandra da Mota Mathyas, analista de conservação do WWF-Brasil. Foram apresentadas variadas experiências como o da Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (Coober), a primeira do país. “As cooperativas proporcionam aos associados a redução dos gastos com energia elétrica e também colaboram com a diversificação da matriz energética”, afirmou Marco Morato de Oliveira, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Participaram do debate ainda Rodolfo Pinto, da Engie Energia; Patrício Pavez, da Quantum Engenharia; e Luiz Fernando Lemos, da Clemar Engenharia.

Outro palestrante internacional do evento foi Alfonso Blanco Bonilla, secretário-executivo da Organização Latino-Americana de Energia (OLADE), que fez um panorama da energia no continente latino-americano e Caribe.

O 8° Seminário Energia + Limpa tem o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Universidade Federal de Santa Catarina, Grupo Fotovoltaica-UFSC, WWF-Brasil e CELESC, além do patrocínio da Engie Energia, IESS Ideal Estudos e Soluções Solares, BRDE, Clemar Engenharia, Fockink, Quantum Engenharia e WEG.

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