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Retrospectiva e desafios para 2019

Mauro Passos
Presidente do Instituto IDEAL

Todo fim de ano é um momento propício para refletirmos sobre nossa atuação e sobre os desafios que teremos pela frente, sobretudo em um contexto em que as energias renováveis, principalmente a solar, têm o potencial de vir a suprir as futuras demandas energéticas.

O ano que passou foi de muito trabalho. Uma das nossas principais iniciativas foi o projeto Municípios Solares, uma parceria do Instituto IDEAL com a Federação Catarinense de Municípios (FECAM) e a Quantum Engenharia e com o apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A primeira etapa foi apresentar a idéia a prefeitos e suas equipes, com intuito de socializar o conhecimento. O projeto teve grande aceitação em Santa Catarina e já está sendo apresentado em outros estados brasileiros. O desafio para 2019 é colocá-lo em prática.

O ano também foi marcado por uma aproximação ainda mais intensa com o cooperativismo. Junto com o Grupo Fotovoltaica – UFSC, lançamos o Simulador de Cooperativas de Energia Solar. O aplicativo digital simula o tamanho do sistema FV para suprir a energia consumida pelos cooperados e cooperadas, os custos para manter a cooperativa e a economia esperada por cooperado(a).

Neste contexto, após negociações iniciadas com a Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV) há dois anos, o IDEAL foi parceiro na realização do estudo “Potencial de las Cooperativas de Energías Renovables en América Latina − La Generación Distribuida en Brasil, Chile y México”, que será lançado em breve. O conteúdo é um estado da arte sobre as cooperativas de e com geração distribuída no Brasil, no Chie e no México.

Realizamos em junho o 9º Seminário Energia + Limpa. A programação, focada em temas que nos aproximam do futuro, tratou do mercado de energia fotovoltaica, das cooperativas solares e da mobilidade elétrica. No evento, lançamos o Prêmio América do Sol 2019, cujo objetivo é reconhecer iniciativas inovadoras e sustentáveis na área da energia solar.

Ainda em 2018, lançamos a quinta edição do estudo “Mercado Brasileiro de Geração Distribuída”, uma iniciativa do IDEAL e da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. O Selo Solar, que passou por algumas atualizações, também se consolida como uma importante certificação do setor fotovoltaico.

Em relação ao ano que se inicia, a questão ambiental vai ser um dos nossos grandes desafios. O ano terminou com a notícia de que a Amazônia teve o maior desmatamento da história. A energia solar, com todo o crescimento que teve, está ameaçada por mudanças regulatórias e pelo lobby das concessionárias. Organizações não governamentais, como o Instituto IDEAL, também vão enfrentar dificuldades.

Enfim, como podemos ver, 2019 será um ano de grandes desafios. Só que não nos falta energia para enfrentá-los.

Desejamos a todos um bom fim de ano e um 2019 com as energias renovadas.

IDEAL participa de estudo sobre o potencial cooperativo para produção de energia limpa na América Latina

O Instituto IDEAL participou do estudo “Potencial de las Cooperativas de Energías Renovables en América Latina − La Generación Distribuida en Brasil, Chile y México”, uma iniciativa da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). O objetivo é que o conteúdo seja um ponto de partida para atividades que envolvam o tema energias renováveis no contexto do setor cooperativo. O estudo pode ser acessado aqui.

Um dos pontos altos do trabalho são os quadros comparativos entre os três países. É possível observar, por exemplo, as similaridades e diferenças em relação a temas como política climática, marcos legais no setor energético, políticas e programas para o setor energético e características da Geração Distribuída (GD). Um dos dados mostra que no Brasil há nove cooperativas de GD, enquanto o México não possui nenhuma. No entanto, há 110 cooperativas no Brasil com GD (elas têm outras finalidades, mas geram a própria energia).

A DGRV tem o propósito de fomentar o desenvolvimento de cooperativas de energia em nível mundial. Neste contexto, o estudo buscou analisar o potencial de cooperativas de energia na América Latina. A ideia é dar respostas e recomendações para o avanço das atividades que a entidade realiza no setor energético.

O estudo contou com a participação de especialistas do Brasil, Chile e México. O IDEAL foi contratado por sua expertise no tema de energias, sobretudo renováveis, e foi representado pela jornalista e gestora de projetos, Andressa Braun. A coordenação da pesquisa foi de Camila Japp, da DGRV, e Marco Olivio Morato, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

No Chile, o estudo contou com a participação de Simon Heinken, da DGRV Paraguay, Daniela Andrea Zamorano Arias, do Instituto de Ecología Política (IEP) e Carlo Saavedra, da Red Genera (e investigador Asociado IEP). No México, o trabalho ficou por conta de Jasmin Renz, da DGRV México, e Flavia Tudela Rivadeneyra, do Ithaca Environmental.

“O estudo foi um grande esforço cooperativo, em consonância com o propósito do projeto: conhecer o estado da arte/desenvolvimento das cooperativas de/com geração distribuída, nos três países, e recomendar ações para o fomento do cooperativismo e da transição energética em direção a uma matriz continental mais limpa e sustentável. O intercambio foi profícuo e um país aprendeu muito um com o outro”, avaliou Andressa Braun .

Uma versão preliminar do estudo foi apresentado no Chile, no início de dezembro, no “Seminario Internacional sobre Generación distribuida y el potencial de cooperativas de energía em América Latina”. O objetivo foi reunir os principais stakeholders do setor, colocá-los em contato, aproveitar o momento de publicação de um avanço na lei de geração distribuída no Chile e realizar o intercâmbio entre os países, sensibilizá-los para a combinação importante e exitosa que é o cooperativismo para a geração de energia.