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Especialistas criticam vulnerabilidade da matriz energética brasileira

Seminário Energia + Limpa, promovido pelo Instituto Ideal, também debateu os desafios para a expansão das energias renováveis

Os desafios no planejamento energético a longo prazo no Brasil foi um dos focos centrais destacados pelos painelistas do painel de abertura do 6º Seminário Energia + Limpa, que reuniu os principais nomes nacionais do setor em Florianópolis nesta terça-feira (6). Para eles, um maior envolvimento da sociedade civil é necessário no processo de escolhas do governo quanto ao futuro da matriz energética, visto que o país precisará aumentar sua capacidade de geração nos próximos anos ao mesmo tempo em que garanta a resiliência do sistema elétrico.

A coordenadora executiva do projeto Fundo Verde e professora da UFRJ, Suzana Kahn, ressaltou a importância das energias renováveis na redução das emissões de gases do efeito estufa e a necessidade de descarbonização da produção de energia como um todo. Suzana alertou sobre os riscos de não contar com uma matriz energética variada e destacou que a segurança energética demanda medidas estruturais. “É preciso integrar e articular as iniciativas que hoje estão muito isoladas. Para o desenvolvimento de uma política específica para o futuro, precisamos sair da fase de projetos-pilotos”, ressaltou.

Com 80% da matriz elétrica brasileira baseada em hidroeletricidade até 2000, o país precisou buscar alternativas energéticas para a atual crise hídrica. Segundo André Ferreira, representante do Observatório do Clima, isso tem provocado uma evolução, ainda que tímida, das energias alternativas. “A tendência é que a principal fonte continue sendo a hidrelétrica, mas com um foco muito maior na região amazônica. Para o avanço das renováveis, o desafio está em definir um plano de longo prazo e exercitar cenários possíveis, de forma construtiva e instrutiva”, indica.

Para o coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Energia da UNICAMP, Gilberto Januzzi, um caminho para aumentar a participação de fontes alternativas e, assim, aumentar a diversidade da matriz, é o desenvolvimento de novos modelos de negócio para o setor. Diante de muitos questionamentos da platéia sobre o papel do governo como incentivador da adoção de fontes alternativas, como a geração distribuída a partir da geração fotovoltaica, o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF Brasil, André Nahur, ressaltou a necessidade de desenvolver uma economia de baixo carbono a partir de iniciativas do terceiro setor. “A evolução energética também é uma questão social, por isso, é preciso engajar e empoderar a sociedade, para que se articule junto ao governo e à iniciativa privada”, afirmou.

Organizado pelo Instituto Ideal na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), o evento atraiu mais de 300 participantes, entre estudantes, pesquisadores, membros da iniciativa privada e entusiastas do setor. “A missão da sustentabilidade não tem fronteiras e é um compromisso com toda a sociedade”, destacou o presidente do Instituto Ideal, Mauro Passos, na abertura do evento, que contou com a presença do Vice-Presidente para Assuntos Regionais da Região Sudeste da FIESC, Tito Alfredo Schmitt; do presidente da Câmara de Assuntos de Energia da FIESC, Otmar Josef Müller; do secretário de Estado de Santa Catarina do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), Carlos Chiodini; do deputado estadual Dirceu Dresch (PT); do diretor-presidente da Eletrosul, Márcio Zimmermann; e do diretor da KFW no Brasil, Carsten Sandhop.

O evento tem o apoio da FIESC e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), e patrocínio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Araxá Energia Solar, Solar Energy do Brasil, Celesc, Caixa, Eletrobras Eletrosul e Tractebel.  Além disso, conta com o apoio institucional de Ambiente Energia, Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) e Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).

Acompanhe nos próximos dias a cobertura completa do Seminário.

Disponíveis certificados do Energia + Limpa

Estão disponíveis os certificados para quem participou do Seminário Energia + Limpa, que ocorreu entre os dias 13 e 14 de maio, em Florianópolis-SC. Para ter acesso ao certificado, os participantes precisam entrar no site http://www.certificado.prpe.ufsc.br/index.php e preencher o campo com o CPF informado à organização do evento  (sem pontuações).

O Energia + Limpa, promovido pelo Instituto Ideal e pela Universidade Federal de Santa Catarina, reuniu diversos especialistas e autoridades do setor energético.

::::: Saiba mais sobre o Seminário Energia + Limpa.

:::: Confira as apresentações feitas no evento.

Seminário Energia + Limpa 2014

Veja apresentações realizadas no Seminário Energia + Limpa: conhecimento, sustentabilidade, integração, edição 2014. O evento reuniu referências do setor energético de vários países, em prol da disseminação de fontes alternativas de energia. Perdeu esta edição? Acompanhe nosso site e nossas redes sociais e participe da edição que deve ocorrer no primeiro semestre de 2015.

Secretário-executivo da Olade, Fernando Ferreira
Analista de infraestrutura do Ministério das Cidades, Celso Oliveira
Diretor do Greenbuilding Council Brasil, Felipe Faria
Gerente da Superintendência de Florianópolis da Caixa, Eduardo Rockenbach
Gerente de projetos em energia e setor financeiro do KfW, Jens Wirth
Engenheiro do departamento de energias alternativas do BNDES, Marcelo Melo
Executivo principal da vice-presidente de energia do CAF, Pablo Cisneros

Especialista em regulação da Aneel, Marco Aurélio Lenzi Castro
CEO da Solar Energy do Brasil, Hewerton Martins – Parte I
CEO da Solar Energy do Brasil, Hewerton Martins – Parte II
Gerente de projetos do Ideal, Paula Scheidt
Gerente de P&D da Tractebel, Sérgio Roberto Maes
Representante da Eclareon GmbH e do BSW, Natascha Trennepohl