Estudo inédito: Quais são as barreiras e oportunidades para as profissionais mulheres no setor de energia solar?

Com o intuito de compreender as barreiras para participação e representação de mulheres, os interesses e necessidades delas para a transformação do setor de energia solar em um ambiente mais igualitário e atraente para as profissionais, foi lançado, no dia 02 de junho de 2021, um estudo inédito no país: Energia solar no Brasil: Quais são as barreiras e oportunidades para as profissionais mulheres no setor?

O estudo analisa as questões de gênero no setor de energia solar brasileiro e tem como público-alvo as pessoas que nele atuam: tomadoras de decisão, empresárias, formadoras de políticas públicas e demais profissionais. Segundo João Favaro, assessor de projetos da C40, “O estudo tem o objetivo de apoiar a pesquisa setorial como forma de promoção da pauta de gênero no setor solar Brasileiro para o fortalecimento das mulheres no ramo.”

O lançamento foi realizado durante uma mesa redonda virtual, onde foram apresentados e debatidos os resultados do novo estudo. O webinar foi transmitido através do canal do youtube da Rede MESol e contou com a presença de representantes de diversos nichos do setor de energia solar.

O relatório analisa as questões de gênero no setor brasileiro de energia solar a partir de dados secundários de 1.268 empresas disponibilizados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e a partir das respostas de 251 mulheres ao questionário disponibilizado às trabalhadoras do setor. O estudo contou com coordenação executiva da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK RIO), financiado pelo o C40 Cities Finance Facility e Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, e parceria da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar ( MESol ), Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (IDEAL) e do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC).

Kathlen Schneider (Co-autora do estudo, co-fundadora da Rede MESol e diretora do Instituto IDEAL) apresenta o estudo como sendo uma resposta à falta de informações, estudos e dados desagregados por gênero e todas as suas interseccionalidades, como raça idade e região no setor energético, dificultando a compreensão dos desafios, interesses e necessidades das profissionais que atuam no ramo. “Esse é o primeiro estudo, e esperamos que seja o primeiro de muitos, que traz essas análises e quando a gente fala em construir um setor mais diverso e inclusivo, se a gente não tem esses dados, se a gente não conhece o contexto, fica muito difícil traçar ações de estratégias para tornar o setor de energia solar no Brasil mais justo, igualitário e respeitoso para todas as pessoas que atuam nele.”, afirma Kathlen

O desenvolvimento e crescimento da energia solar no Brasil tem beneficiado não apenas o ambiente, mas também a economia, com a inclusão de novos empregos. Entretanto, os dados levantados neste estudo demonstraram que homens e mulheres têm se apropriado de maneira desigual dessas oportunidades: As mulheres são minoria no setor solar no Brasil – 32% na média histórica, o que está alinhado aos padrões internacionais. No entanto, esse número vem caindo, sobretudo entre 2016 e 2019, o que indica a ampliação da participação dos homens no setor. Os resultados do estudo trazem os seguintes questionamentos, que, conforme recomenda Natália Chaves (Co-autora do estudo, especialista em Energia Solar – AHK Rio de Janeiro/ MESol), será preciso que mais análises sejam realizadas, para que possamos entender com maior profundidade os motivos das diferenças das mulheres no setor de energia solar”:

  • Por que os homens ganham, em média, 31% a mais que suas colegas de trabalho, ainda que em situações de mesma escolaridade, idade e tempo de emprego?
  • Por que as mulheres possuem pouco acesso a cargos de diretoria e liderança?
  • Por que não tem mulheres assumindo carreiras de cargos técnicos?

“A igualdade como espécie existe. E existe essa mesma igualdade quando comparamos salários e posições? Como conseguiremos trazer mais mulheres para a área de Energia Solar sem valorizar as características dessas mulheres? Precisamos sem dúvida mudar o nosso comportamento para tudo isso. Apesar de uma presença relevante, as mulheres possuem escassa ou nula visibilidade em posição estratégica”, afirmou Aline Pan, professora da UFRGS e co-fundadora da Rede MESol.

Quando questionadas sobre quais as barreiras que as mulheres têm que enfrentar para se inserirem e permanecerem no setor, o machismo e o preconceito foram amplamente mencionados, seguidos pelo entrave à “falta de credibilidade” no trabalho que elas desenvolvem, especialmente quando se trata das áreas Stem. O estudo ainda permitiu verificar que 57% das profissionais do setor que responderam ao questionário já sofreram algum tipo de violência, com destaque para a violência psicológica (47,4%). Ainda, 71,7% já foram discriminadas em seu ambiente profissional, especialmente por questões de gênero. “Além delas serem a minoria no setor, quando elas estão lá, não estão sendo bem tratadas, não são ouvidas e não são levadas a sério”, pontuou Patrícia Betti (Co-autora do estudo, especialista em Estudos de Gênero – Apoena Assessoria e Treinamento Socioambiental) em sua fala no evento de lançamento.

Ainda durante a sua participação no Webinar, Aline Pan fez um desabafo muito importante, do qual destaca-se o seguinte trecho: “Os desafios são muito urgentes e é essencial uma transição para um modelo justo e necessário. Nesse trânsito, 50% das vozes não podem permanecer silenciadas, que são as de nós, mulheres. Eu quero continuar sendo mulher, mãe e profissional da área de energia solar com orgulho. Desejo que todas as mulheres que queiram mergulhar nessa área se sintam amparadas e não amedrontadas. Desejo que cada uma possa fazer suas escolhas baseadas em suas vontades e não em uma situação idealizada de carreira feita pelos homens. O intuito do desabafo é fomentar as vozes e que todas nós sejamos ouvidas.”

Em sua conclusão, o estudo aponta a necessidade de incluir a pauta de gênero no setor solar brasileiro e sensibilizar seus principais atores quanto ao tema, principalmente os homens. “O setor tem muita possibilidade de crescimento e a gente tem que deixar ele mais atraente para as mulheres” afirmou a Larissa Boing (Co-autora do estudo, especialista em Estudos de Gênero – Boing Assessoria e Treinamento. A diversificação da matriz energética brasileira precisa caminhar junto com a ampliação da diversidade de gênero e raça para que o setor de energias renováveis, aproveite todo o seu potencial de crescimento e de inovação, não apenas de energia solar.

 

Capa do estudo

Link para o estudo:

https://c40cff.org/knowledge-library/quais-so-as-barreiras-e-oportunidades-para-as-profissionais-mulheres-no-setor

Link para o Evento de Lançamento:

https://www.youtube.com/watch?v=bDw5EqYWzxg&t=2307s

Sobre a Rede MESol

A Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol) é um grupo de mulheres com formação científica e técnica que pesquisam, ensinam e trabalham na área de aplicações da conversão da energia solar. O grupo se reuniu em torno do diagnóstico compartilhado sobre a desigualdade de gênero no setor energético, com o objetivo de conectar, apoiar e inspirar mulheres para atuarem ativamente no processo brasileiro de diversificação e transição energética.

Desde a sua formação em 2019, após a realização do I Encontro de Mulheres na Energia Solar, a Rede MESol tem realizado e participado de diversas atividades trazendo a pauta da igualdade de gênero para a mesa, sensibilizando agentes do setor sobre a importância de debater o tema, e também conectando as mulheres que atuam no setor.

Sobre o C40 Cities Finance Facility

O C40 Cities Finance Facility (CFF) apoia cidades de países em desenvolvimento e emergentes no desenvolvimento de projetos de infraestrutura de baixo carbono, resilientes e financeiramente sustentáveis. É financiado pelo Ministério Alemão de Desenvolvimento e Cooperação Econômica (BMZ), Departamento Britânico para Negócios, Energia e Estratégia Industrial (Beis), Agência para Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid) e Children’s Investment Fund Foundation (CIFF). O programa é implementado pela parceria entre o C40 Cities Climate Leadership Group (C40) e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. No Brasil, quatro cidades pertencem ao grupo C40: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Salvador (BA).

Escrito por: Jéssica Bertolino Gregório (voluntária MESol) e Aline Kirsten (co-fundadora MESol)

Na Mídia: “O passado, o presente e o futuro do Instituto IDEAL “

A revista 3S – SOLAR SUSTAINABLE SOLUTIONS, publicada nesta semana, veicula um texto que trata do passado, do presente e do futuro do Instituto IDEAL:

Veja um trecho:

“Desde sua fundação, em 12 de fevereiro de 2007, o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Instituto IDEAL) tem atuado em duas frentes principais: criando e difundindo conhecimento sobre as energias renováveis – por meio de cartilhas, debates, ferramentas digitais; e ajudando a implementar soluções práticas – como a Usina Eletrosul Megawatt Solar e a legislação que permitiu o uso de Geração Distribuída (GD) no Brasil. No presente, mas olhando para o futuro, a organização trabalha para promover as cooperativas de energia, a mobilidade elétrica urbana e o uso de baterias para armazenar energia.”

Clique aqui para ter acesso ao artigo completo e à revista. 

Instituto IDEAL apoia aprovação do projeto de lei que cria marco legal da Geração Distribuída (GD)

O Instituto IDEAL participa, junto com uma série de associações e entidades, de um movimento de apoio ao projeto Projeto de Lei nº 5829, que institui um marco legal para a Geração Distribuída (GD) no Brasil. Em regime de urgência, o projeto pode ser votado a qualquer momento no Plenário da Câmara dos Deputados. Apesar de ser a favor da norma, o movimento defende uma emenda que visa melhor o crescimento e desenvolvimento do setor. 

O projeto do deputado federal Silas Câmara (Republicanos/AM) foi apresentado em novembro de 2019. O que será votado é um substitutivo do relator, o deputado federal Lafayette de Andrada  (Republicanos/MG). A proposta busca estabelecer um Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída e o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) – atualmente o setor é regulamentado pela Resolução Normativa n.º 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). 

De acordo com o presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, a GD no Brasil possibilitou o aumento do uso de energias renováveis, um setor que tem crescido no mundo todo. “As mudanças climáticas têm provocado calamidades pelo mundo afora. O futuro da humanidade está no conhecimento, que deve impulsionar o uso das energias renováveis. O Brasil deve continuar trilhando este caminho e se aperfeiçoando”, afirmou.  

O movimento é liderado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) – confira, abaixo, outras associações e entidades que apoiam o projeto. Defende, entre outras coisas, que a nova lei traz segurança jurídica para consumidores e pequenas e médias empresas; cria uma regra de transição que permite adaptação do mercado; protege o direito dos consumidores pioneiros; tem uma cobrança justa pelo uso da rede; e permite um desenvolvimento sustentável do mercado de geração distribuída. 

Apesar de ser a favor do conteúdo, as entidades defendem sua melhoria por meio de emenda do deputado federal Evandro Roman (Patriota/PR). A sugestão estabelece que antes de qualquer mudança nas normas deve haver penetração de 10% de GD em geração de energia elétrica na matriz. “Conforme constatado em diversos estudos internacionais, até determinados níveis de penetração, a geração distribuída proporciona benefícios ao sistema elétrico, que diminuem os custos a todos os consumidores”, explica uma cartilha desenvolvida pelo movimento. 

Clique aqui para ler o projeto de Lei

 

 

Pesquisa analisa temática de gênero no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil

Reunir e analisar dados sobre a temática de gênero no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil. Esse é o objetivo de uma pesquisa desenvolvida pelo Cities Finance Facility C40, Cooperação Brasil Alemanha para Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft fur Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-RJ) e a Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol). Um questionário voltado para as mulheres que trabalham no ramo, com preenchimento que leva de 10 a 15 minutos, pode ser respondido até o até 24 de janeiro neste link.

A partir da análise dos dados, a ideia é identificar o contexto e os principais gargalos para inserção e retenção de mulheres profissionais atuantes no setor de energia solar no país, assim como sensibilizar suas/eus principais agentes sobre a questão de gênero e a importância de endereçar essa temática no desenvolvimento do setor. O resultado da pesquisa será divulgado em março nas redes sociais da MESol.

Apesar da grande participação das mulheres no mercado de trabalho, ainda há baixa representatividade e alta desigualdade em comparação à atuação dos homens em áreas tecnológicas, tanto no nível técnico quanto nos cargos de decisão. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira é composta por 51,7% de mulheres, que também são maioria com formação no ensino superior. Por outro lado, as mulheres recebem em média 75% do salário dos homens. Na área da engenharia, somente 29% das/os pesquisadoras/es são mulheres. Nas ciências exatas, apenas 32%dos postos de trabalho são ocupados por mulheres e, nas engenharias, o número é um pouco superior , 39%.

O setor energético também se destaca pela baixa representatividade feminina no mercado de trabalho. Segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), as mulheres ocupam 32% dos empregos relacionados às energias renováveis no mundo. A necessidade de tratar o tema gênero no setor de energia no Brasil, cuja participação é predominantemente masculina, é ratificada em pesquisa da MESol junto as profissionais, 64% delas já ouviram comentários sexistas no seu ambiente de trabalho, e 49% já sofreram algum tipo de discriminação nesse ambiente por ser mulher.

O aumento exponencial da participação ativa e diversa das energias renováveis no Brasil, como a solar, a eólica e a de biomassa, apresenta uma perspectiva favorável para o aumento da igualdade de gênero no setor. Contudo, estudos e dados segregados por gênero são escassos, tornando-se muito difícil compreender os desafios das profissionais que atuam no ramo. Ao buscar maior entendimento das normas sociais e culturais e demais barreiras para a participação e representação das mulheres no setor da energia no Brasil, bem como dos benefícios de uma política energética sensível a gênero, desenvolve-se o potencial para evitar a reprodução das desigualdades de gênero e inspirar mudanças estruturais no setor.

Pesquisa vai mapear mão de obra da cadeia produtiva do setor de energia solar FV

Com o objetivo de avaliar os índices de emprego de mão de obra na cadeia produtiva solar fotovoltaica (FV) no Brasil, a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH está realizando uma pesquisa online. O questionário pode ser respondido até 24 de janeiro.

O questionário é direcionado às empresas que atuam no setor da energia solar no país e busca mapear e caracterizar a mão de obra da cadeia produtiva do setor de energia solar FV por Megawatts (MW) instalado no ano de 2019. A meta é reunir informações detalhadas e qualificadas sobre os serviços da cadeia produtiva de geração de energia por meio da fonte solar.

Coordenada pela GIZ, a pesquisa é realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento em Energias Alternativas na América Latina (IDEAL), Ideal Estudos e Soluções Solares (IESS) e Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC (Fotovoltaica-UFSC). Conta com apoio institucional da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR.)

O preenchimento deste questionário dura cerca de 3 a 5 minutos.

Clique aqui para preencher o questionário.

 

IDEAL concede Selo Solar para fazenda do ator Marcos Palmeira

O Instituto IDEAL concedeu o Selo Solar para o Vale das Palmeiras, fazenda que produz alimentos orgânicos certificados. “Estamos sempre buscando alternativas de sustentabilidade para ter uma dependência cada vez menor do ambiente externo e ser auto sustentável”, afirmou o ator Marcos Palmeira, proprietário da fazenda. “Estamos abrindo um novo ciclo na Vale das Palmeiras”. 

O sistema de 50,77 kWp foi instalado pela Solfortes Engenharia Sustentável, que também fez a solicitação do Selo Solar e entregou a certificação na fazenda localizada em Teresópolis, no Rio de Janeiro. “Temos muito orgulho em contribuir com a geração limpa e barata de energia. Energia solar, claro!”, escreveu no Linkedin Pablo D’Ornellas, Diretor da Solfortes. 

Em vídeo publicado pelo grupo (veja abaixo), Marcos Palmeira, que tem feito várias ações em prol da sustentabilidade, disse que se aproximou mais da questão da energia solar quando fez o programa Manual de Sobrevivência para o Século XXI. No programa, que está disponível na internet, o ator apresenta diversas práticas sustentáveis que podem e devem ser seguidas. 

O Selo Solar é um certificado concedido desde 2012 pelo Instituto IDEAL para quem possui sistemas fotovoltaicos. “O Selo Solar nasceu para ajudar a disseminar a ideia da energia solar. Desde lá já certificamos residências, comércios, indústrias, fazendas solares, escolas, prédios públicos. Junto com outras ações, estamos cumprindo essa missão de valorizar esta tecnologia limpa e sustentável”, afirmou o presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos. 

Clique aqui para conhecer o Selo Solar.     

Confira aqui o vídeo produzido pela Solfortes. 

energia.coop: Plataforma Energia Cooperativa no Brasil será lançada dia 20 de outubro em evento virtual

A plataforma energia.coop tem por objetivo ser um ponto central de informações sobre Energia Cooperativa no Brasil. Ela será lançada em evento virtual no dia 20 de outubro, das 14h às 15h30min. Para participar do encontro, confirme a presença clicando aqui.

A plataforma energia.coop foi elaborada para crescer e expandir o conhecimento sobre a energia renovável e eficiência energética cooperativa de forma alinhada e organizada, buscando também dar visibilidade e gerar oportunidades para as iniciativas já existentes no Brasil.

O desenvolvimento desta plataforma acontece no âmbito do projeto internacional “Plataformas de diálogo cooperativo de energia para fortalecer projetos descentralizados de energia renovável por meio do engajamento cidadão” realizado pela DGRV – Deutscher Genossenschafts-und Raiffeisenverband e. V. (Confederação Alemã das Cooperativas) e financiado pelo Ministério Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ).

O Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (IDEAL) e o Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC) foram parceiros nesta construção.

A Energia Cooperativa surge como uma das possibilidades de materializar o sonho coletivo e urgente de mitigar as mudanças climáticas e de construir um futuro mais justo e responsável com o meio ambiente e futuras gerações. A Energia Cooperativa é uma forma de democratizar o acesso à geração de energia renovável e incentivar o consumo consciente e eficiente de energia elétrica, além de ter o potencial de descentralizar e diversificar a matriz energética do país trazendo muitas vantagens para a comunidade local. A Energia Cooperativa fortalece a autonomia energética coletiva e transforma o consumidor de energia em um agente de mudança no processo de transição energética.

Para saber mais sobre a plataforma participe do evento.

Diretora do IDEAL fala sobre participação em eventos internacionais sobre empoderamento de mulheres na área de energia e cooperativas solares

A diretoria do Instituto IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Kathlen Schneider, participou de eventos em Berlim, na Alemanha, e em Santiago, no Chile.

Na Alemanha, fez parte de um programa de mentoria promovido pela Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) cujo objetivo é acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética. No Chile, debateu no painel “Energia, Cidadania e Cooperativismo” durante a Cúpula Social para Ação Climática.

Nesta entrevista, Schneider conta mais detalhes sobre as experiências internacionais e também fala sobre o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar que ajuda a promover.

O que é o Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) e como foi a semana de estudos em Berlim, na Alemanha?

GWNET é uma rede de mulheres que trabalham com energias renováveis e eficiência energética em todas as partes do mundo. É uma ONG internacional fundada na Áustria, que busca atuar nas questões de desequilíbrio de gênero no setor energético e promover ações gênero-sensitivas em torno do processo de transição energética por meio do empoderamento de mulheres que atuam no setor.

A semana de estudos em Berlim fez parte do Programa de Mentoria com foco em países da América Latina (Brasil e México, neste caso) e Oriente Médio e Norte da África (Argélia, Jordânia, Marrocos e Tunísia). Esse programa de mentoria tem como objetivo acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética por meio do contato com mentoras. Em agosto abriu um processo seletivo para participar do programa e, no total, foram escolhidas 45 mulheres desses seis países e para cada uma foi selecionada uma mentora que mais se encaixasse com o seu perfil.

As mentoras são profissionais sênior no setor que se inscreveram como voluntárias para participar do programa. A relação mentora-mentoreada iniciou em novembro/2019 e seguirá com encontros quinzenais ou mensais durante nove meses via online calls, uma vez que na maioria dos casos mentora e mentoreada não moram no mesmo país. O GWNET também está organizando uma série de webinars para mentoras e mentoreada que acontecerão nesse período.

Das 45 mulheres selecionadas como mentoreadas, 20 foram selecionadas para participar de uma semana de estudos em Berlim, na Alemanha, com o apoio do German Federal Ministry for Economic Affairs and Energy (BMWi). Essa semana de estudos aconteceu entre 25 e 29 de novembro de 2019 e estivemos envolvidas em diversas atividades como reuniões de networking, conferências, workshops e visitas técnicas. Participamos de reuniões no BMWi e no Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH (também parceiro do projeto), do Congresso de Transição Energética organizado pelo Dena (a Agência de Energia Alemã), de um workshop para melhorar nossas habilidades de falar em público e de uma visita técnica no EUREF Campus. Na página do Linkedin do GWNET foram postadas notícias diárias sobre as atividades da semana de estudos.  Foi uma semana muito enriquecedora e de muito aprendizado.

Para mim, o que mais ficou foram as conexões e trocas de experiências realizadas com todas as mulheres que participaram dessa semana de estudos. É muito incentivador perceber que independente das nossas diferenças de culturas, de língua, de contexto social e econômico das regiões em que vivemos, todas nós acreditamos e lutamos por um mesmo objetivo: acelerar a transição energética em nossos países e garantir que as próximas gerações de mulheres do setor energético encontrem um ambiente mais justo e igualitário, e que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

O que é a Cúpula Social para Ação Climática e como foi a mesa de debates que discutiu energias renováveis e cooperativismo em Santiago, no Chile?

A Cúpula Social para Ação Climática é um evento organizado pela sociedade civil, paralelo à Conferência do Clima (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). A COP25, que seria no Chile, foi cancelada e transferida para Madri, na Espanha, devido aos protestos que estão ocorrendo no país Latino Americano.

A Cúpula Social é organizada pela Sociedade Civil para Ação Climática (SCAC), formada por mais de 130 organizações do mundo ambiental, associações profissionais, sindicatos, organizações políticas e acadêmicas. O objetivo da Cúpula Social é de alertar sobre a emergência climática, mostrar soluções alternativas e alertar para aquelas propostas que não são uma contribuição efetiva para a melhoria do relacionamento entre o meio ambiente e a humanidade.

Mesmo com a COP25 sendo transferida para Madri, as atividades organizadas pela Cúpula Social se mantiveram, tomando espaço em Santiago, no Chile, entre os dias 2 e 11 de dezembro. Vários temas foram abordados nesses 9 dias de eventos como água, biodiversidade, transição energética, direitos humanos e direito ambiental, movimentos sociais e extrativismo, além de várias atividades culturais.

Nós, do IDEAL, a convite da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV), participamos da Cúpula no dia em que foram discutidos tópicos sobre transição energética e um painel sobre “Energia, Cidadania e Cooperativismo”, compartilhando o contexto brasileiro das cooperativas de geração distribuída compartilhada.

Este painel foi organizado pelo Instituto de Ecologia Política (IEP) e pelo Instituto de Estudos Avançados (IDEA) da Universidade de Santiago do Chile (USACH). Participaram deste painel, Afonso Garcia da Goiner, uma cooperativa de geração e consumo de energia renovável no País Basco, Pâmela Cárdenas da Enercoop Ayesen, da Cooperativa de energia da Patagônia, Daniela Zamorano do IEP e a prof. Gloria Baigorrotegui do IDEA.

O evento foi uma troca de experiências muito rica onde cada um de nós compartilhou o contexto dos nossos países, avanços, desafios e perspectivas para o futuro. Espaços como esse, de diálogo e troca de experiências, são de grande importância para que possamos despertar consciência nas pessoas e tomadores de decisões sobre os efeitos positivos da participação cidadã e democrática no processo de transição energética.

Como está o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, que você está ajudando a desenvolver?

O setor energético é predominantemente masculino e os desequilíbrios de gênero no setor são percebidos no mundo todo. A Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol) se formou a partir do I Encontro de Mulheres na Energia Solar, realizado no dia 4 de junho no Fotovoltaica-UFSC, em Florianópolis. Nesse encontro conectamos mulheres que trabalham em diferentes áreas da energia solar para compartilharem suas experiências como profissionais, como mães, como mulheres.

A rede nasceu, então, a partir de um objetivo em comum: identificar quem são as mulheres que trabalham com energia solar no Brasil, onde elas estão, em que área do setor elas atuam e quais são as principais barreiras que elas enfrentam na sua trajetória profissional em relação aos desequilíbrios de gênero que encontramos no setor. Nossa intenção é que possamos juntas nos empoderar e nos fortificarmos.

Queremos também incentivar novas gerações de mulheres a trabalharem com energia solar, que elas saibam que engenharias e tecnologia também é para mulheres, que elas encontrem um ambiente de trabalho equilibrado onde mulheres e homens sejam respeitados igualmente pelas suas habilidades, potenciais e que suas vozes sejam escutadas e tratadas de igual para a igual.

Como primeira ação da rede elaboramos um questionário online justamente para mapear quem são as mulheres do setor para que possamos nos conectar e conhecer um pouco do contexto de cada uma. Recebemos mais de 130 respostas e em breve divulgaremos os dados dessa pesquisa.  Em breve também lançaremos nossas redes socias para divulgar nossas ações e estamos com muitos planos pro ano que vem, incluindo atividades no Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS), que acontecerá em junho em Fortaleza, e no Intersolar South America, que será em agosto em São Paulo. Aguardem que têm muitas novidades vindo por aí!

Diretor do IDEAL alerta sobre ameaça de deserção da rede com mudanças na geração distribuída em audiência pública

Representando a Associação Brasileira de Energia Solar (Abens), o professor Ricardo Rüther, diretor do Instituto IDEAL e coordenador do FOTOVOLTAICA-UFSC, participou da audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, em Brasília, na quarta-feira (20/11), que discutiu as propostas de mudanças na regulamentação de geração distribuída (Resolução Normativa 482). Rüther alertou que a diminuição dos preços das baterias pode fazer com proprietários de sistemas fotovoltaicos, por exemplo, deixem a rede, fazendo com que os custos de manutenção aumentem para os consumidores brasileiros.

Rüther chamou sua apresentação de “A revolução das baterias e a ameaça real de deserção da rede”. “Toda a discussão acerca de taxar a injeção  de energia na rede para dividir os custos que estão sendo compartilhados com aqueles consumidores que não adotam a geração fotovoltaica no sentido de preservá-lo pode ser um tiro pela culatra. O consumidor que estamos querendo proteger pode ficar sozinho para pagar pelo uso da rede quando acontecer a revolução das baterias, já que este consumidor pode ficar sozinho”. alertou Rüther. O professor prevê que a popularização dos veículos elétricos e o barateamento das baterias vai criar um excedente de opções.

Clique aqui e confira a íntegra da audiência pública. A participação do professor Ricardo Rüther pode ser assistida a partir dos 46 minutos.

No dia 29 de outubro, o engenheiro e pesquisador Alexandre de Albuquerque Montenegro representou o Instituto IDEAL e o FOTOVOLTAICA-UFSC na audiência pública “Desafios da Geração Distribuída e revisão da Resolução 482/2012 da ANEEL” que tratou do mesmo tema.

Para acessar a apresentação, clique aqui. Para assistir à íntegra da audiência pública, clique aqui.

Acesse a apresentação do IDEAL e FOTOVOLTAICA na audiência pública sobre geração distribuída na Câmara dos Deputados

O engenheiro e pesquisador Alexandre de Albuquerque Montenegro representou o Instituto IDEAL e o Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC) na audiência pública “Desafios da Geração Distribuída e revisão da Resolução 482/2012 da ANEEL”, realizada na tarde desta terça-feira (29/10), na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Montenegro apresentou dados e estudos que mostram um risco de deserção da rede. “O prossumidor passa a ser gerador autônomo (com banco de baterias), por insatisfação com condições GD conectada à rede e por redução de custos de sistema FV e baterias”, afirmou. O alerta foi feito porque está em discussão mudanças na resolução 482/2012 da ANEEL, que podem trazer mais custos ao a quem gera energia a partir da energia solar fotovoltaica.

Para acessar a apresentação, cliqui aqui.

Para assistir à íntegra da audiência pública, clique aqui.