Diretora do IDEAL fala sobre participação em eventos internacionais sobre empoderamento de mulheres na área de energia e cooperativas solares

A diretoria do Instituto IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Kathlen Schneider, participou de eventos em Berlim, na Alemanha, e em Santiago, no Chile.

Na Alemanha, fez parte de um programa de mentoria promovido pela Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) cujo objetivo é acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética. No Chile, debateu no painel “Energia, Cidadania e Cooperativismo” durante a Cúpula Social para Ação Climática.

Nesta entrevista, Schneider conta mais detalhes sobre as experiências internacionais e também fala sobre o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar que ajuda a promover.

O que é o Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) e como foi a semana de estudos em Berlim, na Alemanha?

GWNET é uma rede de mulheres que trabalham com energias renováveis e eficiência energética em todas as partes do mundo. É uma ONG internacional fundada na Áustria, que busca atuar nas questões de desequilíbrio de gênero no setor energético e promover ações gênero-sensitivas em torno do processo de transição energética por meio do empoderamento de mulheres que atuam no setor.

A semana de estudos em Berlim fez parte do Programa de Mentoria com foco em países da América Latina (Brasil e México, neste caso) e Oriente Médio e Norte da África (Argélia, Jordânia, Marrocos e Tunísia). Esse programa de mentoria tem como objetivo acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética por meio do contato com mentoras. Em agosto abriu um processo seletivo para participar do programa e, no total, foram escolhidas 45 mulheres desses seis países e para cada uma foi selecionada uma mentora que mais se encaixasse com o seu perfil.

As mentoras são profissionais sênior no setor que se inscreveram como voluntárias para participar do programa. A relação mentora-mentoreada iniciou em novembro/2019 e seguirá com encontros quinzenais ou mensais durante nove meses via online calls, uma vez que na maioria dos casos mentora e mentoreada não moram no mesmo país. O GWNET também está organizando uma série de webinars para mentoras e mentoreada que acontecerão nesse período.

Das 45 mulheres selecionadas como mentoreadas, 20 foram selecionadas para participar de uma semana de estudos em Berlim, na Alemanha, com o apoio do German Federal Ministry for Economic Affairs and Energy (BMWi). Essa semana de estudos aconteceu entre 25 e 29 de novembro de 2019 e estivemos envolvidas em diversas atividades como reuniões de networking, conferências, workshops e visitas técnicas. Participamos de reuniões no BMWi e no Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH (também parceiro do projeto), do Congresso de Transição Energética organizado pelo Dena (a Agência de Energia Alemã), de um workshop para melhorar nossas habilidades de falar em público e de uma visita técnica no EUREF Campus. Na página do Linkedin do GWNET foram postadas notícias diárias sobre as atividades da semana de estudos.  Foi uma semana muito enriquecedora e de muito aprendizado.

Para mim, o que mais ficou foram as conexões e trocas de experiências realizadas com todas as mulheres que participaram dessa semana de estudos. É muito incentivador perceber que independente das nossas diferenças de culturas, de língua, de contexto social e econômico das regiões em que vivemos, todas nós acreditamos e lutamos por um mesmo objetivo: acelerar a transição energética em nossos países e garantir que as próximas gerações de mulheres do setor energético encontrem um ambiente mais justo e igualitário, e que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

O que é a Cúpula Social para Ação Climática e como foi a mesa de debates que discutiu energias renováveis e cooperativismo em Santiago, no Chile?

A Cúpula Social para Ação Climática é um evento organizado pela sociedade civil, paralelo à Conferência do Clima (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). A COP25, que seria no Chile, foi cancelada e transferida para Madri, na Espanha, devido aos protestos que estão ocorrendo no país Latino Americano.

A Cúpula Social é organizada pela Sociedade Civil para Ação Climática (SCAC), formada por mais de 130 organizações do mundo ambiental, associações profissionais, sindicatos, organizações políticas e acadêmicas. O objetivo da Cúpula Social é de alertar sobre a emergência climática, mostrar soluções alternativas e alertar para aquelas propostas que não são uma contribuição efetiva para a melhoria do relacionamento entre o meio ambiente e a humanidade.

Mesmo com a COP25 sendo transferida para Madri, as atividades organizadas pela Cúpula Social se mantiveram, tomando espaço em Santiago, no Chile, entre os dias 2 e 11 de dezembro. Vários temas foram abordados nesses 9 dias de eventos como água, biodiversidade, transição energética, direitos humanos e direito ambiental, movimentos sociais e extrativismo, além de várias atividades culturais.

Nós, do IDEAL, a convite da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV), participamos da Cúpula no dia em que foram discutidos tópicos sobre transição energética e um painel sobre “Energia, Cidadania e Cooperativismo”, compartilhando o contexto brasileiro das cooperativas de geração distribuída compartilhada.

Este painel foi organizado pelo Instituto de Ecologia Política (IEP) e pelo Instituto de Estudos Avançados (IDEA) da Universidade de Santiago do Chile (USACH). Participaram deste painel, Afonso Garcia da Goiner, uma cooperativa de geração e consumo de energia renovável no País Basco, Pâmela Cárdenas da Enercoop Ayesen, da Cooperativa de energia da Patagônia, Daniela Zamorano do IEP e a prof. Gloria Baigorrotegui do IDEA.

O evento foi uma troca de experiências muito rica onde cada um de nós compartilhou o contexto dos nossos países, avanços, desafios e perspectivas para o futuro. Espaços como esse, de diálogo e troca de experiências, são de grande importância para que possamos despertar consciência nas pessoas e tomadores de decisões sobre os efeitos positivos da participação cidadã e democrática no processo de transição energética.

Como está o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, que você está ajudando a desenvolver?

O setor energético é predominantemente masculino e os desequilíbrios de gênero no setor são percebidos no mundo todo. A Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol) se formou a partir do I Encontro de Mulheres na Energia Solar, realizado no dia 4 de junho no Fotovoltaica-UFSC, em Florianópolis. Nesse encontro conectamos mulheres que trabalham em diferentes áreas da energia solar para compartilharem suas experiências como profissionais, como mães, como mulheres.

A rede nasceu, então, a partir de um objetivo em comum: identificar quem são as mulheres que trabalham com energia solar no Brasil, onde elas estão, em que área do setor elas atuam e quais são as principais barreiras que elas enfrentam na sua trajetória profissional em relação aos desequilíbrios de gênero que encontramos no setor. Nossa intenção é que possamos juntas nos empoderar e nos fortificarmos.

Queremos também incentivar novas gerações de mulheres a trabalharem com energia solar, que elas saibam que engenharias e tecnologia também é para mulheres, que elas encontrem um ambiente de trabalho equilibrado onde mulheres e homens sejam respeitados igualmente pelas suas habilidades, potenciais e que suas vozes sejam escutadas e tratadas de igual para a igual.

Como primeira ação da rede elaboramos um questionário online justamente para mapear quem são as mulheres do setor para que possamos nos conectar e conhecer um pouco do contexto de cada uma. Recebemos mais de 130 respostas e em breve divulgaremos os dados dessa pesquisa.  Em breve também lançaremos nossas redes socias para divulgar nossas ações e estamos com muitos planos pro ano que vem, incluindo atividades no Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS), que acontecerá em junho em Fortaleza, e no Intersolar South America, que será em agosto em São Paulo. Aguardem que têm muitas novidades vindo por aí!

Diretor do IDEAL alerta sobre ameaça de deserção da rede com mudanças na geração distribuída em audiência pública

Representando a Associação Brasileira de Energia Solar (Abens), o professor Ricardo Rüther, diretor do Instituto IDEAL e coordenador do FOTOVOLTAICA-UFSC, participou da audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, em Brasília, na quarta-feira (20/11), que discutiu as propostas de mudanças na regulamentação de geração distribuída (Resolução Normativa 482). Rüther alertou que a diminuição dos preços das baterias pode fazer com proprietários de sistemas fotovoltaicos, por exemplo, deixem a rede, fazendo com que os custos de manutenção aumentem para os consumidores brasileiros.

Rüther chamou sua apresentação de “A revolução das baterias e a ameaça real de deserção da rede”. “Toda a discussão acerca de taxar a injeção  de energia na rede para dividir os custos que estão sendo compartilhados com aqueles consumidores que não adotam a geração fotovoltaica no sentido de preservá-lo pode ser um tiro pela culatra. O consumidor que estamos querendo proteger pode ficar sozinho para pagar pelo uso da rede quando acontecer a revolução das baterias, já que este consumidor pode ficar sozinho”. alertou Rüther. O professor prevê que a popularização dos veículos elétricos e o barateamento das baterias vai criar um excedente de opções.

Clique aqui e confira a íntegra da audiência pública. A participação do professor Ricardo Rüther pode ser assistida a partir dos 46 minutos.

No dia 29 de outubro, o engenheiro e pesquisador Alexandre de Albuquerque Montenegro representou o Instituto IDEAL e o FOTOVOLTAICA-UFSC na audiência pública “Desafios da Geração Distribuída e revisão da Resolução 482/2012 da ANEEL” que tratou do mesmo tema.

Para acessar a apresentação, clique aqui. Para assistir à íntegra da audiência pública, clique aqui.

Acesse a apresentação do IDEAL e FOTOVOLTAICA na audiência pública sobre geração distribuída na Câmara dos Deputados

O engenheiro e pesquisador Alexandre de Albuquerque Montenegro representou o Instituto IDEAL e o Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC) na audiência pública “Desafios da Geração Distribuída e revisão da Resolução 482/2012 da ANEEL”, realizada na tarde desta terça-feira (29/10), na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Montenegro apresentou dados e estudos que mostram um risco de deserção da rede. “O prossumidor passa a ser gerador autônomo (com banco de baterias), por insatisfação com condições GD conectada à rede e por redução de custos de sistema FV e baterias”, afirmou. O alerta foi feito porque está em discussão mudanças na resolução 482/2012 da ANEEL, que podem trazer mais custos ao a quem gera energia a partir da energia solar fotovoltaica.

Para acessar a apresentação, cliqui aqui.

Para assistir à íntegra da audiência pública, clique aqui.

Diretora do IDEAL faz palestra em evento de formação de eletricidade básica para mulheres em Garopaba (SC)

 

A diretoria do Instituto IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Kathlen Schneider, participou no sábado (19/10) do encerramento da Oficina de Eletricidade Básica Residencial Presencial para Mulheres, em Garopaba (SC). “Discutimos questões técnicas e científicas e os desafios enfrentados por nós mulheres devido às desigualdades de gênero. Foi uma tarde muito agradável com uma rica troca de experiências”, avaliou Kathlen.

O curso, organizado pela Frente Feminina de Estudos e Cidadania de Garopaba, teve cinco encontros. Além de conhecerem conceitos básicos sobre manutenção elétrica, as alunas foram capacitadas para realizar pequenos reparos e/ou pequenas novas instalações elétricas.

A diretoria do Instituto IDEAL participou do último encontro. Kathlen Schneider falou sobre o papel que a energia solar fotovoltaica tem tido no movimento de transição energética das fontes não-renováveis para as fontes renováveis de geração de energia no contexto nacional e mundial. Tratou de questões técnicas, como as diferenças entre as tecnologias e os detalhes sobre a instalação dos sistemas, e explicou aspectos da legislação, como a Resolução Normativa nº 482/2012 da Aneel. Também explicou sobre as cooperativas de geração distribuída compartilhada de energia solar fotovoltaica, que faz parte de sua pesquisa de mestrado.

Os desafios enfrentados pelas mulheres devido às desigualdades de gênero foi um dos temas abordados. “Eu levei a questão de como somos desencorajadas desde crianças a atuar nas áreas STEM (da sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) por serem áreas de atuação durante a história predominantemente masculinas. Abri para o debate e várias participantes compartilharam um pouquinho da sua história e sua perspectiva sobre essas questões.”, relatou.

Kathlen Schneider faz parte de um movimento que tem se dedicado às questões de gênero na área. Em junho, ajudou a organizar o I Encontro de Mulheres na Energia Solar. O grupo está organizando a Rede Brasileira de Mulheres na Energia no Brasil com o objetivo de conectar as mulheres do setor e promover eventos.

Na visão de Kathlen Schneider, o tema das desigualdades de gênero deve estar em pauta desde cedo. “Em Garopaba, falamos sobre como é importante educarmos nossas crianças de que não existe ‘coisa de menino e coisa de menina’ e que todos temos potencial para atuarmos no que quisermos, com o que mais nos identificamos. A Frente Feminina de Estudos e Cidadania está fazendo um trabalho maravilhoso em Garopaba, conectando mulheres e homens e criando uma rede de pessoas que acreditam e que lutam por um mundo mais igual para todas as pessoas.”

 

Diretor do IDEAL e coordenador do FOTOVOLTAICA-UFSC recebe prêmio internacional na área de energia solar

O diretor do Instituto IDEAL e coordenador do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Ricardo Rüther, foi premiado pela International Solar Energy Society (ISES) em seu ISES Awards 2019. O professor conquistou o prêmio Achievement through Action Award – In Memory of Christopher A. Weeks

O prêmio homenageia importantes contribuições ao aproveitamento da energia solar para uso prático ou a um novo conceito, desenvolvimento ou produto na área de energia solar. Desde 1975, a cada dois anos, a International Solar Energy Society homenageia aqueles que fizeram conquistas e contribuições significativas para o avanço das aplicações e uso de energia solar.

O prêmio será entregue em Santiago, no Chile, no dia 6 de novembro, durante o Solar World Congress 2019.

Outro prêmio internacional

Em setembro, a diretoria do IDEAL e pesquisadora do FOTOVOLTAICA-UFSC Kathlen Schneider também foi premiada. Ela recebeu o prêmio Student Award por um artigo apresentado no 36th EU PVSEC European Photovoltaic Solar Energy Conference and Exhibition, na França.

O artigo foi escrito em parceira com Johanna Fink e Camila Japp, ambas da German Cooperative and Raiffeinsen Confederation (DGRV); Paula Scheidt Manoel, da Deutsche Gesellschaft Für Internationale Zusammenarbeit (GIZ); Marco Olívio Morato de Oliveira da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB); e o professor Ricardo Rüther, coordenador do Fotovoltaica/UFSC e também diretor do IDEAL.

O artigo apresenta o contexto brasileiro das cooperativas de energia solar de geração distribuída compartilhada e traça um paralelo com o contexto europeu. Para ter acesso ao artigo, em inglês, clique aqui.

IDEAL e AHK-RJ lançam sexta versão do estudo “O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica”

O Instituto IDEAL e a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro – AHK Rio lançaram a sexta versão do estudo “O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica” na terça-feira (27/08), durante a Intersolar South América, em São Paulo. A criação de empregos, a queda nos preços dos sistemas fotovoltaicos e o surgimento de novas linhas de financiamento são alguns fatores destacados pela pesquisa.

O estudo contou com apoio da Agencia Nacional de Energia (Aneel) e da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD). Os patrocinadores que viabilizaram a realização da edição deste ano são: Intersolar South America, Globaltek e ESS Electrical Energy Storage.

O estudo foi apresentado por Taynara Mighelão, consultora do programa América do Sol, e Natália Chaves, gerente de energias da AHK-Rio. “O estudo busca embasar os diversos atores do mercado, como empresas instaladoras, fabricantes, distribuidoras, consumidores finais, investidores e instituições. Ao longo destes seis anos, detectamos muitos desafios no setor, mas mesmo assim ele teve um crescimento exponencial”, explicou Taynara Mighelão.

O estudo é realizado com base em questionários enviados a 2.330 empresas cadastradas no Mapa de Empresas do Setor FV do Programa América do Sol. Pela primeira vez nas seis edições, constatou-se que o número de funcionários efetivos é maior que o de terceirizados, 55% a 45%. Em relação aos preços dos sistemas FV, desde 2013 eles sofrem quedas – cerca de 30%.

Para ter acesso ao estudo clique aqui.

IDEAL e Cresol realizaram debates sobre energia solar e cooperativismo no Oeste de Santa Catarina

O que é energia solar? Por que investir nessa tecnologia? Como o cooperativismo pode se beneficiar dos sistemas fotovoltaicos (FV)? Essas foram algumas questões que nortearam quatro debates realizados no Oeste de Santa Catarina na semana passada (7 a 9/08). Os eventos − uma parceria do Instituto IDEAL com a cooperativa de crédito Cresol Base Oeste e com o apoio do gabinete do deputado Pedro Uczai − reuniram mais de 250 pessoas nas cidades de Dionísio Cerqueira, Pinhalzinho, Quilombo e Chapecó.

O presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, abriu os debates contando a história da energia solar e mostrando a evolução dessa tecnologia. Mostrou que ela é eficiente, confiável e limpa. “Além disso, a energia solar está ganhando escala, e o preço, caindo. A cada ano está ficando mais barato produzir a própria energia. Até porque o valor da conta de luz, historicamente, é corrigido acima da inflação”, afirmou Passos.

Passos também salientou que o futuro dessa tecnologia passa pelo cooperativismo. “A energia solar é a cara do cooperativismo. O que é uma cooperativa? São pessoas que se juntam para fazer algo maior. E por que não fazer uma cooperativa solar para gerar energia e distribuir entre os cooperados? Hoje isso é possível”, argumentou.

Kathlen Schneider, diretora do IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), proferiu a palestra “O Cooperativismo e a Energia Solar Fotovoltaica”. Desde 2015, com a Resolução Normativa 687 da Aneel, é possível que pessoas se reúnam em forma de cooperativa para produzir a própria energia.

Há duas formas para fazer isso. As cooperativa existentes podem instalar a energia fotovoltaica em suas unidades ou podem ser criadas cooperativas exclusivamente para gerar energia. Na sua apresentação, Kathlen Schneider mostrou os modelos existentes no Brasil das associações criadas exclusivamente para este fim. “Cada uma, no seu contexto, foi encontrando um modelo. Não há uma receita de bolo. Cada local tem um contexto, um potencial de irradiação, uma geografia, são pessoas diferentes. Esses casos mostram as cooperativas são uma forma de democratizar o acesso à energia”, falou.

O encerramento ocorreu em Chapecó com a presença do deputado federal Pedro Uczai e do presidente da Cresol Chapecó Paulo Roberto Munarini. Ambos comprometidos com a energia solar na região, reafirmaram seus compromissos de levar adiante a iniciativa do Instituto IDEAL.

Quer conhecer mais sobre o assunto? conheça o “Guia de Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída Fotovoltaica?” e o “Simulador de cooperativas de energia solar”.

 

Instituto IDEAL participa no Espírito Santo da inauguração do maior complexo de energia solar compartilhada do Brasil

O maior complexo de geração compartilhada de energia solar fotovoltaica do Brasil, com 1.193 kWp de potência instalada, foi inaugurado dia 9 de agosto, no Espírito Santo. Conta com 10 unidades geradoras instaladas na cobertura do Complexo Logístico da Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana (Coopeavi), localizado em Ibiraçu-ES, em parceria com a Sicoob-ES.

Kathlen Schneider, diretora do IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), participou da inauguração. “A Sicoob-ES está sendo pioneiríssima no Brasil em um modelo de geração de energia que já é tendência em outros países. Um modelo de geração que permite o acesso democrático às fontes de energias renováveis, evidenciando que o cooperativismo e a energia solar andam muito bem juntos”, avaliou.

Um dos países onde este modelo já é tendência é a Alemanha. De acordo com Camila Japp, gerente de Projetos da DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas), existem 800 cooperativas envolvidas na geração compartilhada naquele país. “O modelo aqui do Espírito Santo envolvendo cooperativas de crédito é inédito e vai servir de exemplo para o restante do país”, disse ao participar do lançamento da usina de Ibiraçu.

A energia produzida em Ibiraçu será usada em 95 agências da Sicoob-ES e na Coopeavi, onde estão instalados os painéis solares. Além disso, a grande inovação desse projeto é que parte da energia solar será compartilhada com associados da Sicoob-ES. Inicialmente, 75 pessoas foram convidadas para participar desse projeto-piloto de compartilhamento, levando em consideração critérios como tempo de associação e interesse pelo projeto.

Esse modelo de geração compartilhada se viabilizou por meio da criação da Ciclos, uma cooperativa de infraestrutura, consumo e serviços através da qual os cooperados e cooperadas poderão se inscrever para participar deste e de outros projetos; e por meio de uma parceria com a startup CleanClic – Gestão Inteligente de Energia, responsável pelo desenvolvimento da plataforma colaborativa que faz a ponte entre o cooperado e a energia gerada pela usina fotovoltaica.

A experiência do Sicoob-ES em compartilhar energia para cooperativas começou com a usina de geração em Santa Maria de Jetibá, com capacidade de 34,6 kWp. O complexo que entrou em operação, em Ibiraçu, possui uma capacidade instalada de 1.193 kWp.

E o projeto terá outra fase. “A fase 3 prevê investimento de R$ 35 milhões nos próximos 12 meses para atender a 100% das agências do Sicoob do Espírito Santo e a 2.500 unidades consumidoras de associados da Ciclos”, anunciou Vitor Romero, C.E.O. da CleanClic.

Fotovoltaica-UFSC lança projeto de financiamento coletivo para o ônibus elétrico alimentado por energia solar

O Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), que trabalha em parceria com o Instituto IDEAL, lançou uma campanha de financiamento coletivo para o eBus: o ônibus elétrico alimentado por energia solar. A partir de R$ 10, é possível ajudar a manter esta iniciativa. A campanha vai até o dia 10 de outubro. 

Os recursos serão investidos nas despesas com a operação e manutenção do ônibus, como o salário dos motoristas e eventuais gastos com equipamentos e mão de obra. “Mobilidade elétrica é uma das questões importantes da atualidade, ainda mais se estiver relacionada com energia solar, como é o caso do eBus. Pedimos que as pessoas ajudem a manter o desenvolvimento deste projeto”, afirmou o presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos.

O eBus foi inaugurado em dezembro de 2016 e iniciou, em março de 2017, o serviço regular de transporte entre o campus central da UFSC e o Fotovoltaica-UFSC, localizado no Sapiens Parque, no norte da Ilha de Santa Catarina. A energia que alimenta o ônibus é toda produzida nos sistemas fotovoltaicos instalados no laboratório.

O ônibus realiza cinco viagens por dia, percorrendo em torno de 52 quilômetros por itinerário. Ao longo dos dois primeiros anos de serviços regulares e gratuitos para a comunidade UFSC, foram mais de 100 mil quilômetros rodados, o equivalente a duas voltas e meia ao mundo.

O ônibus elétrico é um ambiente de trabalho com poltronas confortáveis (transporta somente passageiros sentados: 38 poltronas), duas mesas de reunião, rede wi-fi, tomadas (220V e USB) e ar-condicionado, possibilitando assim o deslocamento produtivo nas viagens que duram cerca de 30 minutos.

O projeto de desenvolvimento do eBus foi financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação e contou com a parceria, por meio de licitação, das empresas WEG, Marcopolo, Eletra e Mercedes, sendo totalmente fabricado no Brasil (apenas as baterias são importadas do Japão pela Mitsubishi Heavy Industries).

O projeto que concretizou o eBus da UFSC acabou em junho. O financiamento coletivo ajudará a dar continuidade aos estudos em torno do eBus e da eletromobilidade associada à geração de energia solar fotovoltaica.

Evento “Conexão de Cooperativas de Geração Distribuída” reuniu experiências nacionais em Florianópolis

O encontro “Conexão de Cooperativas de Geração Distribuída”, realizado no dia 07 de junho, no Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), foi um momento de troca de experiências entre representantes de seis empreendimentos brasileiros. Ao todo, 131 pessoas participaram do evento, seja presencialmente ou pelo Webinar (o evento foi transmitido ao vivo pela internet).

O presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, ao dar as boas-vindas aos presentes, salientou a importância do tema para o instituto. Disse ainda que a energia solar é a cara do cooperativismo. “O melhor lugar para aplicar a energia solar é dentro do princípio e compreensão do que é o cooperativismo. Você junta pessoas e faz uma instalação. E é modular. Sempre brinco que é um grande lego. Você vai colocando os painéis conforme as condições”.

O evento foi promovido pelo IDEAL, Fotovoltaica-UFSC e Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV). Contou ainda com o apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.

Estiveram presentes representantes da Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (COOBER), Cooperativa Sustentável de Energias Renováveis (Cooper Sustentável), Cooperativa de Consumo de Energia (Enercred), Cooperativa de Geração Compartilhada (Compartsol), Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus) e Cooperativa de Geração Compartilhada (Cogecom). As apresentações estão disponíveis para download  e também podem ser vistas no YouTube.

Na sua apresentação, Camila Japp, explicou que a DGRV é organismo que representa o cooperativismo alemão e que conta com um departamento internacional de fomento ao cooperativismo em diversas áreas do mundo, como Ásia, África e América latina. No Brasil, desde 2004 atua com cooperativas de energia renováveis.

A Alemanha tem um grande conhecimento na área. Há praticamente 900 cooperativas de energia renováveis naquele país. “A gente quer entender, das cooperativas brasileiras que já estão trilhando este caminho, o que está dando certo, o que não está dando certo, o que podemos fazer para ajudar, o que podemos fazer para elas crescerem, e qual é este caminho que podemos trilhar junto. A gente tem muito interesse nesse apoio”, disse.

Kathlen Schneider, diretora do Instituto IDEAL, pesquisadora do Fotovoltaica-UFSC e uma das organizadoras do evento, destacou a importância do encontro. “Foi muito importante para conectar as iniciativas pioneiras no Brasil de cooperativas de geração distribuída (GD) compartilhada, para que juntas elas possam se fortalecer e encontrar suporte para estruturar de maneira consolidada esse modelo democrático de geração de energia”.

De acordo com a diretora do IDEAL, muitas cooperativas relataram passar por dificuldades semelhantes no processo de criação e operação dos seus modelos. “Esse fato deixou claro quais as ações podemos dar prioridade, em conjunto, para consolidar e fortalecer o modelo de GD compartilhada por meio de cooperativas no Brasil.”, relatou Kathlen Schneider.

O encontro também serviu para compartilhar soluções. “O que alguma cooperativa apresentou como sendo uma grande dificuldade, outra já tinha encontrado alguma solução para essa mesma dificuldade relatada. Sendo assim, percebeu-se o grande potencial em conectar essas cooperativas, fortalecendo-as ao trabalharem em conjunto.”, explicou Kathlen Schneider.

As apresentações
– Abertura e boas-vindas – por Mauro Passos (IDEAL) e Kathlen Schneider (Fotovoltaica-UFSC/IDEAL e organizadora do evento)
– O cooperativismo no mundo e na Alemanha – por Camila Japp (DGRV e organizadora do evento)
– Caminhos e desafios para o cooperativismo de Geração Distribuída – por Marco Morato (OCB e organizador do evento)
– Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (COOBER) – A primeira cooperativa de GD compartilhada do Brasil – Fonte: Solar Fotovoltaica – Localizada em Paragominas-PA – por Alan Melo (cooperado fundador da COOBER)
– Cooperativa Sustentável de Energias Renováveis (Cooper Sustentável) – Cooperativa de GD compartilhada – Fonte: Solar Fotovoltaica – Com uma pequena usina em Arcos-MG e outra em São José-SC – por Alex Lang (cooperado fundador da Cooper Sustentável)
– Cooperativa de Consumo de Energia (Enercred) – Cooperativa de GD compartilhada – Fonte: Solar Fotovoltaica – Localizada em Pedralva-MG – por José Otávio Bustamante (CEO da Enercred)
– Cooperativa de Geração Compartilhada (Compartsol) – Cooperativa de GD compartilhada – Fonte: Solar Fotovoltaica – Localizada em Araçoiaba da Serra-SP – por Guilherme Susteras (Diretor-Presidente da Compartsol)
– Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus) – Cooperativa Rural que adotou o sistema de GD, de fonte solar fotovoltaica, para gerar energia e compensar na fatura de 28 unidades consumidoras de estabelecimentos da própria Coopercitrus que estão espalhados por São Paulo. Localizada em Bebedouros-SP – por Diego Branco (coordenador de energia fotovoltaica da Coopercitrus)
– Cooperativa de Geração Compartilhada (Cogecom) – Cooperativa de GD compartilhada – Fonte: Termelétrica de Resíduos Florestais – Localizada em Carambeí-PR – por Roberto Corrêa (Presidente da Cogecom)