Ideal e WCRE firmam convênio para o América do Sol

Nesta semana, durante a realização da 2ª Conferência Mundial de Energias Renováveis (WCRE, sigla em inglês) realizada em Bonn, na Alemanha, o Instituto IDEAL firmou convênio (Memorandum of Understanding) de cinco anos com o Conselho Mundial de Energias Renováveis que visa fomentar o desenvolvimento e a difusão das tecnologias de energia solar nos países latino americanos. O convênio se dará pela transferência de conhecimento, parcerias de desenvolvimento e empenho do WCRE para auxiliar o Instituto IDEAL na meta de transformar o continente na AMÉRICA DO SOL.

A princípio as atividades se concentrarão no Brasil, como um “estudo de caso”, mas as instituições vislumbram o alcance continental em poucos anos. Quem comemora é o presidente do IDEAL, Mauro Passos, que também é o único representante da América Latina no WCRE. Para ele o apoio institucional do Conselho Mundial irá motivar e facilitar as discussões para a criação de legislações que contemplem a energia solar e a tornem competitiva em poucos anos. Segundo o Diretor Técnico do IDEAL, professor Ricardo Rüther, do Laboratório Solar da UFSC, enquanto no Brasil a energia elétrica de fontes convencionais tem tido um reajuste médio de 14% ao ano, a indústria da energia solar vem registrando uma queda nos valores da produção em 5% anuais. “Nossa estimativa é que em 2017 esses valores estejam equiparados”, afirma. E com isso, completa, o país terá possibilidade de afastar os riscos de apagões porque o Brasil tem uma das melhores insolações do mundo, cerca de 40% a mais que na Alemanha, onde a indústria da energia solar está bem desenvolvida. Para se ter uma idéia, na Alemanha há uma política de investimentos e incentivos pelo uso da energia solar que vêm possibilitando um crescimento de 10% ao ano na indústria de equipamentos para energias renováveis, com ênfase nos painéis fotovoltaicos e térmicos.

De acordo com o relatório do Governo Alemão, em 2006 o país exportou seis bilhões de euros em equipamentos neste setor, enquanto no ano 2000 a cifra não passou dos 500 milhões de euros. Do total de painéis já instalados na Alemanha, um a cada três é produzido no próprio país, o que tem permitido o barateamento deste tipo de energia, ainda considerada a mais cara entre as fontes renováveis.

POTENCIAL POUCO APROVEITADO
Segundo ainda estudos do professor Rüther, a capacidade de geração solar é muito superior à hídrica, principal fonte de energia do Brasil. Para ilustrar, ele fez o seguinte cálculo: se uma área equivalente em tamanho ao lago de Itaipu (1350 km2) fosse coberta com sistema solar fotovoltaico, a potência instalada seria de 94,5 GW, bem superior aos 12,6 GW atuais. O entrave ainda são os custos. Enquanto os últimos leilões de energia nova têm registrado um valor médio de R$ 130 MW/h nas chamadas fontes convencionais – hidro e térmicas, para as energias renováveis esse valor é bem mais alto. “Os leilões de energia, como agora nas usinas do Rio Madeira, têm o preço inicial da obra de geração, sem contar os custos e a perda de energia na transmissão e na distribuição até chegar na tomada do consumidor. A energia solar é a tomada, sem custos extras e sem perdas”, afirma Ricardo Rüther.

Diante deste potencial praticamente inexplorado no Brasil e na América Latina, salvo em comunidades isoladas ou iniciativas particulares e de poucas administrações públicas (prefeituras), a proposta de cooperação tecnológica entre o IDEAL e o WCRE mostra a aposta na América Latina dos países chamados “desenvolvidos”. “Temos certeza que o AMÉRICA DO SOL, ainda embrionário, irá transformar nosso continente na grande referência mundial de energia solar”, comenta o presidente do IDEAL, Mauro Passos.

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