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Diretora do IDEAL fala sobre participação em eventos internacionais sobre empoderamento de mulheres na área de energia e cooperativas solares

A diretoria do Instituto IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Kathlen Schneider, participou de eventos em Berlim, na Alemanha, e em Santiago, no Chile.

Na Alemanha, fez parte de um programa de mentoria promovido pela Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) cujo objetivo é acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética. No Chile, debateu no painel “Energia, Cidadania e Cooperativismo” durante a Cúpula Social para Ação Climática.

Nesta entrevista, Schneider conta mais detalhes sobre as experiências internacionais e também fala sobre o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar que ajuda a promover.

O que é o Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) e como foi a semana de estudos em Berlim, na Alemanha?

GWNET é uma rede de mulheres que trabalham com energias renováveis e eficiência energética em todas as partes do mundo. É uma ONG internacional fundada na Áustria, que busca atuar nas questões de desequilíbrio de gênero no setor energético e promover ações gênero-sensitivas em torno do processo de transição energética por meio do empoderamento de mulheres que atuam no setor.

A semana de estudos em Berlim fez parte do Programa de Mentoria com foco em países da América Latina (Brasil e México, neste caso) e Oriente Médio e Norte da África (Argélia, Jordânia, Marrocos e Tunísia). Esse programa de mentoria tem como objetivo acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética por meio do contato com mentoras. Em agosto abriu um processo seletivo para participar do programa e, no total, foram escolhidas 45 mulheres desses seis países e para cada uma foi selecionada uma mentora que mais se encaixasse com o seu perfil.

As mentoras são profissionais sênior no setor que se inscreveram como voluntárias para participar do programa. A relação mentora-mentoreada iniciou em novembro/2019 e seguirá com encontros quinzenais ou mensais durante nove meses via online calls, uma vez que na maioria dos casos mentora e mentoreada não moram no mesmo país. O GWNET também está organizando uma série de webinars para mentoras e mentoreada que acontecerão nesse período.

Das 45 mulheres selecionadas como mentoreadas, 20 foram selecionadas para participar de uma semana de estudos em Berlim, na Alemanha, com o apoio do German Federal Ministry for Economic Affairs and Energy (BMWi). Essa semana de estudos aconteceu entre 25 e 29 de novembro de 2019 e estivemos envolvidas em diversas atividades como reuniões de networking, conferências, workshops e visitas técnicas. Participamos de reuniões no BMWi e no Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH (também parceiro do projeto), do Congresso de Transição Energética organizado pelo Dena (a Agência de Energia Alemã), de um workshop para melhorar nossas habilidades de falar em público e de uma visita técnica no EUREF Campus. Na página do Linkedin do GWNET foram postadas notícias diárias sobre as atividades da semana de estudos.  Foi uma semana muito enriquecedora e de muito aprendizado.

Para mim, o que mais ficou foram as conexões e trocas de experiências realizadas com todas as mulheres que participaram dessa semana de estudos. É muito incentivador perceber que independente das nossas diferenças de culturas, de língua, de contexto social e econômico das regiões em que vivemos, todas nós acreditamos e lutamos por um mesmo objetivo: acelerar a transição energética em nossos países e garantir que as próximas gerações de mulheres do setor energético encontrem um ambiente mais justo e igualitário, e que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

O que é a Cúpula Social para Ação Climática e como foi a mesa de debates que discutiu energias renováveis e cooperativismo em Santiago, no Chile?

A Cúpula Social para Ação Climática é um evento organizado pela sociedade civil, paralelo à Conferência do Clima (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). A COP25, que seria no Chile, foi cancelada e transferida para Madri, na Espanha, devido aos protestos que estão ocorrendo no país Latino Americano.

A Cúpula Social é organizada pela Sociedade Civil para Ação Climática (SCAC), formada por mais de 130 organizações do mundo ambiental, associações profissionais, sindicatos, organizações políticas e acadêmicas. O objetivo da Cúpula Social é de alertar sobre a emergência climática, mostrar soluções alternativas e alertar para aquelas propostas que não são uma contribuição efetiva para a melhoria do relacionamento entre o meio ambiente e a humanidade.

Mesmo com a COP25 sendo transferida para Madri, as atividades organizadas pela Cúpula Social se mantiveram, tomando espaço em Santiago, no Chile, entre os dias 2 e 11 de dezembro. Vários temas foram abordados nesses 9 dias de eventos como água, biodiversidade, transição energética, direitos humanos e direito ambiental, movimentos sociais e extrativismo, além de várias atividades culturais.

Nós, do IDEAL, a convite da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV), participamos da Cúpula no dia em que foram discutidos tópicos sobre transição energética e um painel sobre “Energia, Cidadania e Cooperativismo”, compartilhando o contexto brasileiro das cooperativas de geração distribuída compartilhada.

Este painel foi organizado pelo Instituto de Ecologia Política (IEP) e pelo Instituto de Estudos Avançados (IDEA) da Universidade de Santiago do Chile (USACH). Participaram deste painel, Afonso Garcia da Goiner, uma cooperativa de geração e consumo de energia renovável no País Basco, Pâmela Cárdenas da Enercoop Ayesen, da Cooperativa de energia da Patagônia, Daniela Zamorano do IEP e a prof. Gloria Baigorrotegui do IDEA.

O evento foi uma troca de experiências muito rica onde cada um de nós compartilhou o contexto dos nossos países, avanços, desafios e perspectivas para o futuro. Espaços como esse, de diálogo e troca de experiências, são de grande importância para que possamos despertar consciência nas pessoas e tomadores de decisões sobre os efeitos positivos da participação cidadã e democrática no processo de transição energética.

Como está o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, que você está ajudando a desenvolver?

O setor energético é predominantemente masculino e os desequilíbrios de gênero no setor são percebidos no mundo todo. A Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol) se formou a partir do I Encontro de Mulheres na Energia Solar, realizado no dia 4 de junho no Fotovoltaica-UFSC, em Florianópolis. Nesse encontro conectamos mulheres que trabalham em diferentes áreas da energia solar para compartilharem suas experiências como profissionais, como mães, como mulheres.

A rede nasceu, então, a partir de um objetivo em comum: identificar quem são as mulheres que trabalham com energia solar no Brasil, onde elas estão, em que área do setor elas atuam e quais são as principais barreiras que elas enfrentam na sua trajetória profissional em relação aos desequilíbrios de gênero que encontramos no setor. Nossa intenção é que possamos juntas nos empoderar e nos fortificarmos.

Queremos também incentivar novas gerações de mulheres a trabalharem com energia solar, que elas saibam que engenharias e tecnologia também é para mulheres, que elas encontrem um ambiente de trabalho equilibrado onde mulheres e homens sejam respeitados igualmente pelas suas habilidades, potenciais e que suas vozes sejam escutadas e tratadas de igual para a igual.

Como primeira ação da rede elaboramos um questionário online justamente para mapear quem são as mulheres do setor para que possamos nos conectar e conhecer um pouco do contexto de cada uma. Recebemos mais de 130 respostas e em breve divulgaremos os dados dessa pesquisa.  Em breve também lançaremos nossas redes socias para divulgar nossas ações e estamos com muitos planos pro ano que vem, incluindo atividades no Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS), que acontecerá em junho em Fortaleza, e no Intersolar South America, que será em agosto em São Paulo. Aguardem que têm muitas novidades vindo por aí!

SHARED SOLAR COOPERATIVES IN BRAZIL: CONTEXT, OVERCOMING BARRIERS AND LESSONS TO BE DRAWN FROM PREVIOUS EUROPEAN COUNTRIES EXPERIENCES

Artigo sobre cooperativas solares apresentado na 36th EU PVSEC European Photovoltaic Solar Energy Conference and Exhibition, na França, em setembro de 2019. Kathlen Schneider, diretora do IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da UFSC, recebeu o prêmio Student Award pelo trabalho escrito junto com outros pesquisadores.

SHARED SOLAR COOPERATIVES IN BRAZIL: CONTEXT, OVERCOMING BARRIERS AND LESSONS TO BE DRAWN FROM PREVIOUS EUROPEAN COUNTRIES EXPERIENCES

IDEAL e Cresol realizaram debates sobre energia solar e cooperativismo no Oeste de Santa Catarina

O que é energia solar? Por que investir nessa tecnologia? Como o cooperativismo pode se beneficiar dos sistemas fotovoltaicos (FV)? Essas foram algumas questões que nortearam quatro debates realizados no Oeste de Santa Catarina na semana passada (7 a 9/08). Os eventos − uma parceria do Instituto IDEAL com a cooperativa de crédito Cresol Base Oeste e com o apoio do gabinete do deputado Pedro Uczai − reuniram mais de 250 pessoas nas cidades de Dionísio Cerqueira, Pinhalzinho, Quilombo e Chapecó.

O presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, abriu os debates contando a história da energia solar e mostrando a evolução dessa tecnologia. Mostrou que ela é eficiente, confiável e limpa. “Além disso, a energia solar está ganhando escala, e o preço, caindo. A cada ano está ficando mais barato produzir a própria energia. Até porque o valor da conta de luz, historicamente, é corrigido acima da inflação”, afirmou Passos.

Passos também salientou que o futuro dessa tecnologia passa pelo cooperativismo. “A energia solar é a cara do cooperativismo. O que é uma cooperativa? São pessoas que se juntam para fazer algo maior. E por que não fazer uma cooperativa solar para gerar energia e distribuir entre os cooperados? Hoje isso é possível”, argumentou.

Kathlen Schneider, diretora do IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), proferiu a palestra “O Cooperativismo e a Energia Solar Fotovoltaica”. Desde 2015, com a Resolução Normativa 687 da Aneel, é possível que pessoas se reúnam em forma de cooperativa para produzir a própria energia.

Há duas formas para fazer isso. As cooperativa existentes podem instalar a energia fotovoltaica em suas unidades ou podem ser criadas cooperativas exclusivamente para gerar energia. Na sua apresentação, Kathlen Schneider mostrou os modelos existentes no Brasil das associações criadas exclusivamente para este fim. “Cada uma, no seu contexto, foi encontrando um modelo. Não há uma receita de bolo. Cada local tem um contexto, um potencial de irradiação, uma geografia, são pessoas diferentes. Esses casos mostram as cooperativas são uma forma de democratizar o acesso à energia”, falou.

O encerramento ocorreu em Chapecó com a presença do deputado federal Pedro Uczai e do presidente da Cresol Chapecó Paulo Roberto Munarini. Ambos comprometidos com a energia solar na região, reafirmaram seus compromissos de levar adiante a iniciativa do Instituto IDEAL.

Quer conhecer mais sobre o assunto? conheça o “Guia de Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída Fotovoltaica?” e o “Simulador de cooperativas de energia solar”.