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Diretora do IDEAL fala sobre participação em eventos internacionais sobre empoderamento de mulheres na área de energia e cooperativas solares

A diretoria do Instituto IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Kathlen Schneider, participou de eventos em Berlim, na Alemanha, e em Santiago, no Chile.

Na Alemanha, fez parte de um programa de mentoria promovido pela Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) cujo objetivo é acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética. No Chile, debateu no painel “Energia, Cidadania e Cooperativismo” durante a Cúpula Social para Ação Climática.

Nesta entrevista, Schneider conta mais detalhes sobre as experiências internacionais e também fala sobre o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar que ajuda a promover.

O que é o Global Women’s Network for the Energy Transition (GWNET) e como foi a semana de estudos em Berlim, na Alemanha?

GWNET é uma rede de mulheres que trabalham com energias renováveis e eficiência energética em todas as partes do mundo. É uma ONG internacional fundada na Áustria, que busca atuar nas questões de desequilíbrio de gênero no setor energético e promover ações gênero-sensitivas em torno do processo de transição energética por meio do empoderamento de mulheres que atuam no setor.

A semana de estudos em Berlim fez parte do Programa de Mentoria com foco em países da América Latina (Brasil e México, neste caso) e Oriente Médio e Norte da África (Argélia, Jordânia, Marrocos e Tunísia). Esse programa de mentoria tem como objetivo acelerar a carreira de mulheres que estão iniciando sua trajetória profissional nas áreas de energia renovável e/ou eficiência energética por meio do contato com mentoras. Em agosto abriu um processo seletivo para participar do programa e, no total, foram escolhidas 45 mulheres desses seis países e para cada uma foi selecionada uma mentora que mais se encaixasse com o seu perfil.

As mentoras são profissionais sênior no setor que se inscreveram como voluntárias para participar do programa. A relação mentora-mentoreada iniciou em novembro/2019 e seguirá com encontros quinzenais ou mensais durante nove meses via online calls, uma vez que na maioria dos casos mentora e mentoreada não moram no mesmo país. O GWNET também está organizando uma série de webinars para mentoras e mentoreada que acontecerão nesse período.

Das 45 mulheres selecionadas como mentoreadas, 20 foram selecionadas para participar de uma semana de estudos em Berlim, na Alemanha, com o apoio do German Federal Ministry for Economic Affairs and Energy (BMWi). Essa semana de estudos aconteceu entre 25 e 29 de novembro de 2019 e estivemos envolvidas em diversas atividades como reuniões de networking, conferências, workshops e visitas técnicas. Participamos de reuniões no BMWi e no Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH (também parceiro do projeto), do Congresso de Transição Energética organizado pelo Dena (a Agência de Energia Alemã), de um workshop para melhorar nossas habilidades de falar em público e de uma visita técnica no EUREF Campus. Na página do Linkedin do GWNET foram postadas notícias diárias sobre as atividades da semana de estudos.  Foi uma semana muito enriquecedora e de muito aprendizado.

Para mim, o que mais ficou foram as conexões e trocas de experiências realizadas com todas as mulheres que participaram dessa semana de estudos. É muito incentivador perceber que independente das nossas diferenças de culturas, de língua, de contexto social e econômico das regiões em que vivemos, todas nós acreditamos e lutamos por um mesmo objetivo: acelerar a transição energética em nossos países e garantir que as próximas gerações de mulheres do setor energético encontrem um ambiente mais justo e igualitário, e que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

O que é a Cúpula Social para Ação Climática e como foi a mesa de debates que discutiu energias renováveis e cooperativismo em Santiago, no Chile?

A Cúpula Social para Ação Climática é um evento organizado pela sociedade civil, paralelo à Conferência do Clima (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). A COP25, que seria no Chile, foi cancelada e transferida para Madri, na Espanha, devido aos protestos que estão ocorrendo no país Latino Americano.

A Cúpula Social é organizada pela Sociedade Civil para Ação Climática (SCAC), formada por mais de 130 organizações do mundo ambiental, associações profissionais, sindicatos, organizações políticas e acadêmicas. O objetivo da Cúpula Social é de alertar sobre a emergência climática, mostrar soluções alternativas e alertar para aquelas propostas que não são uma contribuição efetiva para a melhoria do relacionamento entre o meio ambiente e a humanidade.

Mesmo com a COP25 sendo transferida para Madri, as atividades organizadas pela Cúpula Social se mantiveram, tomando espaço em Santiago, no Chile, entre os dias 2 e 11 de dezembro. Vários temas foram abordados nesses 9 dias de eventos como água, biodiversidade, transição energética, direitos humanos e direito ambiental, movimentos sociais e extrativismo, além de várias atividades culturais.

Nós, do IDEAL, a convite da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV), participamos da Cúpula no dia em que foram discutidos tópicos sobre transição energética e um painel sobre “Energia, Cidadania e Cooperativismo”, compartilhando o contexto brasileiro das cooperativas de geração distribuída compartilhada.

Este painel foi organizado pelo Instituto de Ecologia Política (IEP) e pelo Instituto de Estudos Avançados (IDEA) da Universidade de Santiago do Chile (USACH). Participaram deste painel, Afonso Garcia da Goiner, uma cooperativa de geração e consumo de energia renovável no País Basco, Pâmela Cárdenas da Enercoop Ayesen, da Cooperativa de energia da Patagônia, Daniela Zamorano do IEP e a prof. Gloria Baigorrotegui do IDEA.

O evento foi uma troca de experiências muito rica onde cada um de nós compartilhou o contexto dos nossos países, avanços, desafios e perspectivas para o futuro. Espaços como esse, de diálogo e troca de experiências, são de grande importância para que possamos despertar consciência nas pessoas e tomadores de decisões sobre os efeitos positivos da participação cidadã e democrática no processo de transição energética.

Como está o desenvolvimento da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, que você está ajudando a desenvolver?

O setor energético é predominantemente masculino e os desequilíbrios de gênero no setor são percebidos no mundo todo. A Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol) se formou a partir do I Encontro de Mulheres na Energia Solar, realizado no dia 4 de junho no Fotovoltaica-UFSC, em Florianópolis. Nesse encontro conectamos mulheres que trabalham em diferentes áreas da energia solar para compartilharem suas experiências como profissionais, como mães, como mulheres.

A rede nasceu, então, a partir de um objetivo em comum: identificar quem são as mulheres que trabalham com energia solar no Brasil, onde elas estão, em que área do setor elas atuam e quais são as principais barreiras que elas enfrentam na sua trajetória profissional em relação aos desequilíbrios de gênero que encontramos no setor. Nossa intenção é que possamos juntas nos empoderar e nos fortificarmos.

Queremos também incentivar novas gerações de mulheres a trabalharem com energia solar, que elas saibam que engenharias e tecnologia também é para mulheres, que elas encontrem um ambiente de trabalho equilibrado onde mulheres e homens sejam respeitados igualmente pelas suas habilidades, potenciais e que suas vozes sejam escutadas e tratadas de igual para a igual.

Como primeira ação da rede elaboramos um questionário online justamente para mapear quem são as mulheres do setor para que possamos nos conectar e conhecer um pouco do contexto de cada uma. Recebemos mais de 130 respostas e em breve divulgaremos os dados dessa pesquisa.  Em breve também lançaremos nossas redes socias para divulgar nossas ações e estamos com muitos planos pro ano que vem, incluindo atividades no Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS), que acontecerá em junho em Fortaleza, e no Intersolar South America, que será em agosto em São Paulo. Aguardem que têm muitas novidades vindo por aí!

Diretor do IDEAL alerta sobre ameaça de deserção da rede com mudanças na geração distribuída em audiência pública

Representando a Associação Brasileira de Energia Solar (Abens), o professor Ricardo Rüther, diretor do Instituto IDEAL e coordenador do FOTOVOLTAICA-UFSC, participou da audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, em Brasília, na quarta-feira (20/11), que discutiu as propostas de mudanças na regulamentação de geração distribuída (Resolução Normativa 482). Rüther alertou que a diminuição dos preços das baterias pode fazer com proprietários de sistemas fotovoltaicos, por exemplo, deixem a rede, fazendo com que os custos de manutenção aumentem para os consumidores brasileiros.

Rüther chamou sua apresentação de “A revolução das baterias e a ameaça real de deserção da rede”. “Toda a discussão acerca de taxar a injeção  de energia na rede para dividir os custos que estão sendo compartilhados com aqueles consumidores que não adotam a geração fotovoltaica no sentido de preservá-lo pode ser um tiro pela culatra. O consumidor que estamos querendo proteger pode ficar sozinho para pagar pelo uso da rede quando acontecer a revolução das baterias, já que este consumidor pode ficar sozinho”. alertou Rüther. O professor prevê que a popularização dos veículos elétricos e o barateamento das baterias vai criar um excedente de opções.

Clique aqui e confira a íntegra da audiência pública. A participação do professor Ricardo Rüther pode ser assistida a partir dos 46 minutos.

No dia 29 de outubro, o engenheiro e pesquisador Alexandre de Albuquerque Montenegro representou o Instituto IDEAL e o FOTOVOLTAICA-UFSC na audiência pública “Desafios da Geração Distribuída e revisão da Resolução 482/2012 da ANEEL” que tratou do mesmo tema.

Para acessar a apresentação, clique aqui. Para assistir à íntegra da audiência pública, clique aqui.

Diretora do IDEAL faz palestra em evento de formação de eletricidade básica para mulheres em Garopaba (SC)

 

A diretoria do Instituto IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (FOTOVOLTAICA-UFSC), Kathlen Schneider, participou no sábado (19/10) do encerramento da Oficina de Eletricidade Básica Residencial Presencial para Mulheres, em Garopaba (SC). “Discutimos questões técnicas e científicas e os desafios enfrentados por nós mulheres devido às desigualdades de gênero. Foi uma tarde muito agradável com uma rica troca de experiências”, avaliou Kathlen.

O curso, organizado pela Frente Feminina de Estudos e Cidadania de Garopaba, teve cinco encontros. Além de conhecerem conceitos básicos sobre manutenção elétrica, as alunas foram capacitadas para realizar pequenos reparos e/ou pequenas novas instalações elétricas.

A diretoria do Instituto IDEAL participou do último encontro. Kathlen Schneider falou sobre o papel que a energia solar fotovoltaica tem tido no movimento de transição energética das fontes não-renováveis para as fontes renováveis de geração de energia no contexto nacional e mundial. Tratou de questões técnicas, como as diferenças entre as tecnologias e os detalhes sobre a instalação dos sistemas, e explicou aspectos da legislação, como a Resolução Normativa nº 482/2012 da Aneel. Também explicou sobre as cooperativas de geração distribuída compartilhada de energia solar fotovoltaica, que faz parte de sua pesquisa de mestrado.

Os desafios enfrentados pelas mulheres devido às desigualdades de gênero foi um dos temas abordados. “Eu levei a questão de como somos desencorajadas desde crianças a atuar nas áreas STEM (da sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) por serem áreas de atuação durante a história predominantemente masculinas. Abri para o debate e várias participantes compartilharam um pouquinho da sua história e sua perspectiva sobre essas questões.”, relatou.

Kathlen Schneider faz parte de um movimento que tem se dedicado às questões de gênero na área. Em junho, ajudou a organizar o I Encontro de Mulheres na Energia Solar. O grupo está organizando a Rede Brasileira de Mulheres na Energia no Brasil com o objetivo de conectar as mulheres do setor e promover eventos.

Na visão de Kathlen Schneider, o tema das desigualdades de gênero deve estar em pauta desde cedo. “Em Garopaba, falamos sobre como é importante educarmos nossas crianças de que não existe ‘coisa de menino e coisa de menina’ e que todos temos potencial para atuarmos no que quisermos, com o que mais nos identificamos. A Frente Feminina de Estudos e Cidadania está fazendo um trabalho maravilhoso em Garopaba, conectando mulheres e homens e criando uma rede de pessoas que acreditam e que lutam por um mundo mais igual para todas as pessoas.”

 

IDEAL e Cresol realizaram debates sobre energia solar e cooperativismo no Oeste de Santa Catarina

O que é energia solar? Por que investir nessa tecnologia? Como o cooperativismo pode se beneficiar dos sistemas fotovoltaicos (FV)? Essas foram algumas questões que nortearam quatro debates realizados no Oeste de Santa Catarina na semana passada (7 a 9/08). Os eventos − uma parceria do Instituto IDEAL com a cooperativa de crédito Cresol Base Oeste e com o apoio do gabinete do deputado Pedro Uczai − reuniram mais de 250 pessoas nas cidades de Dionísio Cerqueira, Pinhalzinho, Quilombo e Chapecó.

O presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, abriu os debates contando a história da energia solar e mostrando a evolução dessa tecnologia. Mostrou que ela é eficiente, confiável e limpa. “Além disso, a energia solar está ganhando escala, e o preço, caindo. A cada ano está ficando mais barato produzir a própria energia. Até porque o valor da conta de luz, historicamente, é corrigido acima da inflação”, afirmou Passos.

Passos também salientou que o futuro dessa tecnologia passa pelo cooperativismo. “A energia solar é a cara do cooperativismo. O que é uma cooperativa? São pessoas que se juntam para fazer algo maior. E por que não fazer uma cooperativa solar para gerar energia e distribuir entre os cooperados? Hoje isso é possível”, argumentou.

Kathlen Schneider, diretora do IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), proferiu a palestra “O Cooperativismo e a Energia Solar Fotovoltaica”. Desde 2015, com a Resolução Normativa 687 da Aneel, é possível que pessoas se reúnam em forma de cooperativa para produzir a própria energia.

Há duas formas para fazer isso. As cooperativa existentes podem instalar a energia fotovoltaica em suas unidades ou podem ser criadas cooperativas exclusivamente para gerar energia. Na sua apresentação, Kathlen Schneider mostrou os modelos existentes no Brasil das associações criadas exclusivamente para este fim. “Cada uma, no seu contexto, foi encontrando um modelo. Não há uma receita de bolo. Cada local tem um contexto, um potencial de irradiação, uma geografia, são pessoas diferentes. Esses casos mostram as cooperativas são uma forma de democratizar o acesso à energia”, falou.

O encerramento ocorreu em Chapecó com a presença do deputado federal Pedro Uczai e do presidente da Cresol Chapecó Paulo Roberto Munarini. Ambos comprometidos com a energia solar na região, reafirmaram seus compromissos de levar adiante a iniciativa do Instituto IDEAL.

Quer conhecer mais sobre o assunto? conheça o “Guia de Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída Fotovoltaica?” e o “Simulador de cooperativas de energia solar”.

 

Instituto IDEAL participa no Espírito Santo da inauguração do maior complexo de energia solar compartilhada do Brasil

O maior complexo de geração compartilhada de energia solar fotovoltaica do Brasil, com 1.193 kWp de potência instalada, foi inaugurado dia 9 de agosto, no Espírito Santo. Conta com 10 unidades geradoras instaladas na cobertura do Complexo Logístico da Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana (Coopeavi), localizado em Ibiraçu-ES, em parceria com a Sicoob-ES.

Kathlen Schneider, diretora do IDEAL e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica-UFSC), participou da inauguração. “A Sicoob-ES está sendo pioneiríssima no Brasil em um modelo de geração de energia que já é tendência em outros países. Um modelo de geração que permite o acesso democrático às fontes de energias renováveis, evidenciando que o cooperativismo e a energia solar andam muito bem juntos”, avaliou.

Um dos países onde este modelo já é tendência é a Alemanha. De acordo com Camila Japp, gerente de Projetos da DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas), existem 800 cooperativas envolvidas na geração compartilhada naquele país. “O modelo aqui do Espírito Santo envolvendo cooperativas de crédito é inédito e vai servir de exemplo para o restante do país”, disse ao participar do lançamento da usina de Ibiraçu.

A energia produzida em Ibiraçu será usada em 95 agências da Sicoob-ES e na Coopeavi, onde estão instalados os painéis solares. Além disso, a grande inovação desse projeto é que parte da energia solar será compartilhada com associados da Sicoob-ES. Inicialmente, 75 pessoas foram convidadas para participar desse projeto-piloto de compartilhamento, levando em consideração critérios como tempo de associação e interesse pelo projeto.

Esse modelo de geração compartilhada se viabilizou por meio da criação da Ciclos, uma cooperativa de infraestrutura, consumo e serviços através da qual os cooperados e cooperadas poderão se inscrever para participar deste e de outros projetos; e por meio de uma parceria com a startup CleanClic – Gestão Inteligente de Energia, responsável pelo desenvolvimento da plataforma colaborativa que faz a ponte entre o cooperado e a energia gerada pela usina fotovoltaica.

A experiência do Sicoob-ES em compartilhar energia para cooperativas começou com a usina de geração em Santa Maria de Jetibá, com capacidade de 34,6 kWp. O complexo que entrou em operação, em Ibiraçu, possui uma capacidade instalada de 1.193 kWp.

E o projeto terá outra fase. “A fase 3 prevê investimento de R$ 35 milhões nos próximos 12 meses para atender a 100% das agências do Sicoob do Espírito Santo e a 2.500 unidades consumidoras de associados da Ciclos”, anunciou Vitor Romero, C.E.O. da CleanClic.

Publicado estudo sobre o potencial cooperativo para produção de energia limpa na América Latina com participação do IDEAL

Já está disponível o estudo “Potencial de las Cooperativas de Energías Renovables en América Latina − La Generación Distribuida en Brasil, Chile y México”, uma iniciativa da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). O objetivo é que o conteúdo seja um ponto de partida para atividades que envolvam o tema energias renováveis no contexto do setor cooperativo. O estudo, que contou com a participação do IDEAL, pode ser acessado aqui.

O presidente do Instituto IDEAL, Mauro Passos, ressalta a importância do estudo. “É mais um passo na construção do conhecimento sobre energias renováveis e cooperativas, algo tão importante para a nossa América Latina. Foi uma exitosa parceria que se construiu com a DGRV e com a OCB (Organização das Cooperativas do Brasil)“.

Um dos pontos altos do trabalho são os quadros comparativos entre os três países. É possível observar, por exemplo, as similaridades e diferenças em relação a temas como política climática, marcos legais no setor energético, políticas e programas para o setor energético e características da Geração Distribuída (GD). Um dos dados mostra que no Brasil há nove cooperativas de GD, enquanto o México não possui nenhuma. No entanto, há 110 cooperativas no Brasil com GD (elas têm outras finalidades, mas geram a própria energia).

Outras informações sobre o estudo podem ser acessadas aqui.

Presidente do IDEAL entrega Selo Solar a escola estadual do RS

O presidente do IDEAL, Mauro Passos, entregou o Selo Solar à Escola Estadual de Ensino Médio José Luchese, de Lagoa Bonita do Sul (RS), na última quarta-feira (21/02), em cerimônia no Palácio Piratini, em Porto Alegre, com a presença, entre outras autoridades, do governador do Estado, José Ivo Sartori e do Secretário Estadual de Educação, Ronald Krummenauer. A escola está localizada na região Centro Serra do Vale do Rio Pardo e é a primeira escola pública do Brasil a receber a certificação. Lá foram instalados 25 painéis solares que produzem, em média, 80% da necessidade mensal da instituição de ensino. “A sensação que tenho em um evento como este é de que a semente foi plantada e a ideia está incorporada”, disse Passos referindo-se à implementação da energia solar fotovoltaica.

A aquisição do sistema foi possível graças aos programas da Japan Tobacco International (JTI) chamados “Nossas Comunidades Rurais” e “Alcançando a Redução do Trabalho Infantil pelo suporte à Educação (ARISE)” por meio do programa do Governo do Estado “Escola Melhor: Sociedade Melhor”. O ARISE é desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela ONG Winrock Internacional (WI) e pela JTI, visando contribuir para a erradicação do trabalho infantil nas lavouras de tabaco da região em que atua. Com a economia na conta da luz foi possível contratar uma professora para atender permanentemente os alunos em oficinas de música que acontecem no contraturno escolar.

O Selo Solar é uma iniciativa do Instituto IDEAL com apoio do WWF-Brasil e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ e KfW.

Indústria no RS produz cuias com energia do sol

Fábrica Cuias Jadi, de Frederico Westphalen (RS), produz cuias com o uso de energia solar e espera um retorno de investimento em cinco anos.

As cuias de chimarrão da fábrica Cuias Jadi, de Frederico Westphalen (RS), são comercializadas principalmente no Sul do Brasil, mas também são vendidas no exterior, em países como Argentina, Estados Unidos, Canadá e Alemanha. E, desde outubro de 2017, os produtos possuem um diferencial: o Selo Solar. “É um reconhecimento do nosso trabalho que chega inclusive a outros países. Estamos muito contentes”, afirmou Valéria Ciocari Trevisol, proprietária da empresa junto com o marido Jadir Trevisol.

O fato de produzir sua própria energia, de forma sustentável, e, assim, ter um diferencial comercial, foi um dos motivos que levou os proprietários a investir na energia solar. Mas o que mais pesou mesmo foi a possibilidade de retorno econômico, mais uma prova de que os custos para a implementação desta forma de energia estão caindo.

Segundo Valéria, a empresa tinha capital de giro para investir na tecnologia, mas optou por manter estes recursos em caixa e fazer um financiamento no banco Sicredi. Tudo foi intermediado pela Marsol Energia, uma empresa da cidade. “O custo inicial era alto, mas vimos que teria retorno com o tempo e decidimos investir. Estávamos visualizando o futuro”, contou.

O custo do sistema, com potência de 9,1 kWp, foi de R$ 62 mil, financiado em três anos. A conta de energia, que era de cerca de 800 a 1000 reais por mês, passou para aproximadamente 140, 200 reais. “Teremos o retorno em cinco anos. E, como o sistema tem uma vida útil de no mínimo 25 anos, teremos pelo menos 20 anos de lucro pela frente”, avaliou Valéria.

O Selo Solar é uma iniciativa do Instituto IDEAL com apoio do WWF-Brasil e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ e KfW.

O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica – Edição 2017

Iniciativa do Instituto IDEAL e AHK-RJ, o Estudo “O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica” chega a sua quarta edição. O propósito do estudo é compreender os principais desafios a serem enfrentados para uma maior adoção da geração distribuída a partir da energia fotovoltaica no país. É resultado da análise de entrevistas às empresas cadastradas no Mapa de Empresas do Setor Fotovoltaico, do programa América do Sol, conduzido pelo Instituto IDEAL.

O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica – Edição 2017

IDEAL concede primeiro Selo Solar a uma vinícola

Os vinhos da Guatambu Estância do Vinho, localizada em Dom Pedrito, na região da campanha gaúcha, são produzidos com energia solar. E, em breve, quem consumir a bebida poderá ver, nos rótulos das garrafas, a marca do Selo Solar, certificação concedida pelo Instituto IDEAL neste mês. “Com muita alegria soubemos da notícia de que vamos receber o Selo. Se trata de um passo importante para mostrar que nossos vinhos são sustentáveis”, afirmou Valter José Pötter, diretor-proprietário da empresa.

A vinícola, que além de produzir vinhos recebe turistas, foi construída para ser sustentável. “Trabalho há 50 anos no campo e aprendi o que é certo, o que é errado e o que é possível fazer. A primeira razão de optarmos pelo uso da energia solar é porque ela é sustentável”, relatou o diretor-proprietário. Além da fonte alternativa de energia, a água da chuva é reutilizada, e os resíduos líquidos e sólidos são utilizados, respectivamente, na irrigação e no tratamento de animais.

A segunda razão para o uso de energia solar foi a busca por um diferencial no mercado, já que a venda de vinhos é altamente competitiva. Segundo Valter José Pötter, são mais de 100 mil rótulos disputando espaço no Brasil, muitos deles importados, em que são embutidos menos impostos ou, até mesmo, contrabandeados. “Tínhamos que ter um diferencial para conquistar mercado. E apostamos na sustentabilidade”.

No início do projeto, os proprietários da Guatambu começaram a buscar informações sobre a energia eólica, já que a região contava com diversos parques eólicos. Um pesquisador da Pontifícia Universidade Católica (PUC) chegou a analisar a situação em sua tese de doutorado, mas concluiu que o vento, no local onde estava a empresa, não era o adequado. Seria necessário um investimento muito alto. Então, começaram os testes com energia solar.

Inicialmente, foi realizado um piloto, com 18 painéis, no fim de 2014. Na época, não havia na região indústrias em funcionamento com sistemas solares, apenas residências. “Tínhamos que testar como seria com o clima de região, com chuvas de pedras, sol de 40 graus, geada, ventania. Como iria se comportar?”, lembrou Pötter. O resultado agradou. Foram instaladas 100 placas, totalizando 156 kWp, com uma tecnologia superior e uma melhor estrutura. Para a surpresa, o sistema gerou de 20% a 25% a mais do que o projetado. Toda energia da Guatambu Estância do Vinho é suprida e ainda sobra um excedente para ser usado em outros negócios do proprietário.

Foram investidos R$ 1,5 milhões. A conta de energia, que girava em torno de R$ 12 a 18 mil, caiu para cerca de 10%, contando a demanda contratada e os impostos. A expectativa é de que o investimento seja abatido em um período em torno de oito anos. “Mas eu insisto que o mais importante é o ganho de mercado. Depois da instalação passamos a ser reconhecidos. Vieram excursões de vários lugares do país, como Rio de Janeiro e São Paulo. Gerou muita mídia espontânea.”

No entanto, a mais recente conquista e reconhecimento recebidos pela Guatambu foi o Selo Solar, uma iniciativa do Instituto IDEAL com apoio do WWF-Brasil e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ e KfW. Desta forma, a vinícola se tornou a primeira do Brasil a possuir a certificação.